|
Holanda Amsterdã
Para um país a salvo das marés, parece apropriado
dizer que a Holanda – leia-se Amsterdã – está de certa forma à
deriva. Ela oscila em meio a uma crise de identidade. Depois de enfrentar
assassinatos e um ataque homofóbico em 2005, a cidade parece estar longe
da imagem de paz e amor que a tornou conhecida. Hoje o governo quer
desvincular essa idéia da cidade: apesar de desafiar a gramática, o
ótimo slogan da campanha “I amsterdam” tira de cena o sexo e as
drogas em favor dos negócios.
Como turista, felizmente, você não se dará conta de
toda a onda de bons fluídos. Afinal, você não despenca em Amsterdã
para testemunhar esse turbilhão cultural, e sim, vem para absorver a
atmosfera de continuidade histórica existente em cada uma das casas ao
longo dos grandes canais, nas imponentes igrejas e nas ruas que parecem
quase intocadas quando comparadas às pinturas de 400 anos atrás. O
passado glorioso de Amsterdã está à vista por toda a cidade, desde as
pinturas da Época de Ouro expostas no Rijksmuseum, até os armazéns da
holandesa Companhia das Índias Ocidentais, ainda de pé ao longo das
docas. E embora um passeio pelo centro dê a sensação de estar andando
por um museu em tamanho natural, isso não é de todo verdade:
definitivamente Amsterdã tem um pé no contemporâneo. O design holandês
é de fato o melhor do mundo: basta ver a cúpula de luminária Garland,
campeã de vendas, de Tord Boontje’s, as criações inusitadas do grupo
Droog Design e a dupla fashion Viktor & Rolf’s com suas roupas
esquisitas, mas formadoras de opinião.
O centro de Amsterdã foi feito para pedestres: em
apenas 45 minutos de caminhada você escapa da agitada Centraal Station e
chega na tranqüila Museumplein e no Voldenpark. O Oud Centrum (Centro
Velho) é rodeado pelo último cinturão de canais, que se divide entre os
lados Velho (para leste de Damrak e Rokin) e Novo (para oeste).
Tempo aqui é algo relativo já que, neste caso, a
referência é a Nova Igreja, a Nieuwwe Kerk (Dam, 626 8168, www.nieuwekerk.nl),
de 1408. É nessa pequena área que estão muitos dos pontos turísticos
da cidade, inclusive as moças cuja profissão é a mais antiga do mundo,
dispostas lado a lado com a Oude Kerk (Velha Igreja, de 1250;
Oudekerksplein 23, 625 8284, www.oudekerk.nl), no Red Light District.
Entre o velho e o novo está a Dam Square, onde o Rio Amstel foi represado
pela primeira vez em 1270.
Hoje serve de ponto de encontro para os turistas. O que
atrai aqui é o antigo prédio da Prefeitura, que mais tarde, como sinal
dos tempos, foi ocupado por vários visitantes e monarcas e se tornou o
Koninklijk Paleis (Palácio Real, 620 4060, www.koninklijkhuis.nl). Outra
viagem ao passado é a visita ao excelente Amsterdams Historisch Museum (Kalverstraat
92, 523 1822, www.ahm.nl) e ao Begijnhof (praça Spui). Essas casas
tranqüilas em volta da praça e do jardim foram construídas no século
14 para as Beguines, uma comunidade de mulheres leigas devotas.
Ao sul, em Singel, você encontra o famoso mercado de
flores flutuante, o Bloemenmarkt. Um dos secredos de Amsterdã guardados a
sete chaves é o Museum Amstelkring (Oudezijds Voorburgwal 40, 624 6604,
www.museumamstelkring.nl), um templo clandestino construído no sótão,
usado pelos católicos no século 17, quando eram proibidos de freqüentar
as igrejas. Ao sul, a região de Jodenbuurt atrai os turistas para as
compras, no agitado no mercado das pulgas Waterlooplein, e para a cultura,
no Rembrandthuis Museum (Jodenbreestraat 4, 520 0400, www.rembrandthuis.nl).
Os quatro principais canais (grachten) e suas ruas
radiais são o que alguns podem considerar a “verdadeira” Amsterdã.
Faltam locais turísticos, mas sobram atributos arquitetônicos e
cinematográficos, cafés, oportunidade de compras e prazerosas
caminhadas.
Isso não quer dizer que não existam atrações na
região – em Prinsengracht, o canal de fora (os outros, olhando para
dentro do anel, são Keizersgracht, Herengracht e Singel), está a casa de
Anne Frank (nº 267, 556 7100, www.annefrank.nl), além da igreja
Westerkerk, com uma linda vista panorâmica da cidade (nº 281, 624 7766,
www.westerkerk.nl).
Perto dela está o Homomonument (www.homomonument.nl).
A oeste dos canais está a área residencial Jordaan, sem grandes
atrações turísticas, mas em compensação conta com cafés bacanas,
comida excelente e ótimas galerias.
As atrações mais próximas incluem o Verenigde
Bloemenveilingen, o maior leilão de flores do mundo, na cinematográfica
Aalsmeer (pegue o ônibus nº 172 no centro da cidade).
Ou se preferir ver os moinhos, vá até Alblasserdam
conhecer os moinhos Kinderdijk (pegue o trem em direção a Utrecht e
depois o ônibus).
A viagem de trem leva uma hora, seja para Roterdã ou
para Hague.
Aeroporto
O aeroporto de Schiphol (da Holanda, disque somente
0900 0141, www.schiphol.nl) fica a 20 min de trem da Centraal Station.
Trem
Trens: (da Holanda, disque 0900 9292, www.amsterdam.info/transport/station).
Partem a cada 15 min, das 4h às 24h (depois disso a cada 1 h); passagens
de ida custam €3.40; Eurostar (de Londres) para Brussels Midi, em
seguida trem expresso para Amsterdã, na Centraal Station, no centro
velho. Tempo de viagem: 2h20min (Londres a Bruxelas); 2h40min (Bruxelas a
Amsterdã).
Táxi
Táxi para o centro sai por cerca de €35. Central de
táxi: 677 7777.
Barco
Ferry Stena Line (de Harwich) até o porto Hook of
Holland, em seguida o trem expresso até a Centraal Station. O porto fica
a 76 km de Amsterdã e a Centraal Station no centro velho de da cidade.
Tempo de viagem: 4h (de Harwich a Hook of Holland); 1h30min (de Hook of
Holland a Amsterdã).
Transportes
Um bilhete de €6.40 dá direito a ilimitadas viagens
de trem, metrô e ônibus, durante 24 horas. Compre nas bilheterias da
estação ou nas tabacarias. Ou então compre o strippenkaart, um carnê
de 15 ou 45 bilhetes, disponível nos quiosques ou bancas: use dois
bilhetes para cada viagem dentro de uma única zona. Para visitar as docas
ao leste, uma balsa gratuita sai para a Java Island do píer 8, atrás da
Centraal Station ou pegue o ônibus nº 28, nº 32 ou nº 59.
|