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Washington Estados Unidos
A capital norte-americana é a típica cidade para se
criar estereótipos. Quem não a conhece tende a imaginá-la uma capital
que gira em torno do funcionalismo público, como nossa Brasília. E a
resumi-la como o distrito onde fica a Casa Branca, residência oficial do
presidente americano, e o Capitólio, onde as decisões mais importantes
dos Estados Unidos se refletem no curso mundial. Pensa-se, enfim, num
lugar burocrático, de pouco calor humano. Ao desembarcar no Aeroporto
Internacional de Dulles e seguir em direção a DC, porém, o visitante se
surpreende.
Com apenas 600 mil habitantes, a capital dos EUA tem
infra-estrutura de metrópole e clima de interior. É possível encontrar
gente disposta a não apenas lhe indicar o endereço certo, mas levá-lo
até a porta. Experiência rara em Nova York, por exemplo. Além do
confortável metrô (cinco linhas), conhecer a cidade caminhando é algo
imprescindível. E o roteiro só pode ser cultural. O imenso National Mall
- um corredor separado de um extremo a outro pelo Capitólio e pelo
monumento a Washington - é apenas um dos destaques. É lá que fica a
maioria dos museus do Instituto Smithsonian, considerado o maior complexo
do gênero no mundo. São 16, todos com entrada gratuita.
Depois dos atentados - é impossível falar de
Washington DC sem mencionar os atentados de 11 de setembro de 2001 - se o
mundo não foi mais o mesmo, imagine a cidade atingida diretamente. Mais
de um ano depois, parte do prédio do Pentágono, sede do poder militar
americano, foi restaurada. Mas ainda há máquinas trabalhando no
estacionamento, na frente do local que foi atingido pelo avião
transformado em camicase. É impossível visitá-lo: o acesso foi restrito
a escolas com agendamento prévio.
A segurança foi triplicada em todas as repartições,
inclusive os museus. Os visitantes devem ter paciência na hora da
revista, que não dispensa detectores de metais, equipamentos de raio X e
muitos guardas. Melhor para os turistas.
Para os mais entusiasmados, Washington é a Paris
americana. Há semelhanças que não negam as influências francesas.
Afinal, foi a convite de George Washington que o engenheiro francês
Pierre Lanfant projetou a cidade a partir do triângulo formado pela Casa
Branca, pelo Capitólio e pelo monumento a Washington. O grande número de
praças e museus da capital americana é um motivo a mais para a
comparação com a cidade-luz, que também preserva sua riqueza cultural.
Mas a herança para o patrimônio público de
Washington veio mesmo por meio de um cientista inglês chamado James
Smithson. Conta a história que, em 1826, Smithson escreveu seu último
testamento, tendo como beneficiário um sobrinho. Caso morresse o rapaz,
como ocorreu, tudo deveria ser encaminhado, segundo o documento,
"para os Estados Unidos da América, sob o nome de Instituto
Smithsonian, um estabelecimento para a difusão do conhecimento entre os
homens". Os motivos que levaram o cientista a deixar sua fortuna, na
época estimada em US$ 500 mil, para uma terra que nunca tinha pisado são
até hoje desconhecidos. O investimento, porém, foi rigorosamente
aplicado e resultou no maior complexo de museus dos Estados Unidos e do
mundo.
O Instituto Smithsonian abriga 16 museus quase todos na
imponente avenida que liga o Capitólio ao monumento a Washington. O
imenso corredor, ladeado por quatro avenidas principais - Jefferson Drive,
Madison Drive, Constitution Avenue e a Independence Avenue -, por si só
é um lugar de lazer. Todo o gramado é usado para piqueniques e corridas.
Por lá, tem-se o acesso para a escolha dos museus. Pensar ser possível
visitar todos é ilusão. Escolha o de maior interesse e nele passe uma
tarde inteira. O melhor de tudo: todos têm entrada gratuita.
O Museu Nacional da História Americana chama a
atenção pelo próprio fato de reunir o que o nome já sugere. O maior
desafio é saber por onde começar. O prédio tem três andares, cada um
deles com mais de dez amplas salas de exposição. A entrada principal do
museu fica no segundo andar. Ir direto para o balcão de informações é
o mais indicado. Ali, o visitante tem à disposição guias que ajudam a
escolher as salas. Se preferir, pergunte à recepcionista uma sugestão
pessoal. "Que tal começar pelo final?", sugere uma atendente
com forte sotaque hispânico. Ótima dica.
A sala à que ela se referia foi inaugurada durante a
comemoração de um ano dos atentados de 11 de setembro. É uma exibição
marcante, uma das mais procuradas. Apesar do grande número de visitantes,
ninguém ousa movimentos bruscos ou arrisca um tom mais alto na voz. A
expressão facial é compenetrada e rígida. Na entrada, fotos ampliadas
do World Trade Center, do Pentágono e de Shanksville - local na
Filadélfia da queda do terceiro avião, que os passageiros conseguiram
desviar do que poderia ter sido mais um alvo de terroristas -, além de
imagens de personagens pelo país recebendo a terrível notícia. Na
galeria, fotos do trabalho de profissionais que se aventuraram para o
pontos dos desastres, o famoso vídeo dos irmãos Jules e Gédéon Naudet,
franceses que estagiavam com o Corpo de Bombeiros de Nova York, e a
câmara e últimas fotografias de Bill Biggart, o único fotógrafo a
morrer no desabamento das torres gêmeas. No espaço de objetos estão à
mostra cerca de 50 artefatos recolhidos nos três locais dos atentados.
São pastas de executivos, sapatos sociais, fragmentos dos aviões, itens
encontrados nas salas destruídas do Pentágono. Tudo terrivelmente real.
Se nenhum texto pode retratar com acuidade a emoção e a destruição
produzidas naquele dia, menos ainda este texto pode retratar a
exposição. Não à toa, há caixas de lenços espalhadas pelo saguão.
Mais de 70. É este o número de museus de que dispõe
a capital americana. Um bom exemplo é o Capitol Children's Museum
(www.ccm.org), que reúne exibições interativas focadas na cultura, nas
artes e nas ciências, direcionadas, especialmente, a crianças e
estudantes. Descobrir a origem do chocolate quente e "escalar"
uma pirâmide ancestral dos maias são algumas das atrações permanentes.
O ingresso do Capitol custa US$ 6. A biblioteca Folger Shakespeare
(www.folger.edu) é outra atração imperdível. Particular e sem fins
lucrativos, é uma das bibliotecas que reúne vasta coleção de
Shakespeare e material da Renascença. A entrada é gratuita.
Há também alguns parques interessantes, como o
Kenilworth Aquatic Gardens (www.nps.gov/nace/keaq), o único dedicado a
plantas aquáticas nos Estados Unidos. Não se paga para entrar. Além do
conglomerado do Instituto Smithsonian, um dos museus privados que esbanja
tecnologia e interatividade é o International Spy Museum
(www.spymuseum.org), o museu da espionagem, inaugurado em julho. É a
maior coleção internacional aberta ao público de objetos utilizados em
espionagem. Não à toa os diretores da instituição são ex-membros do
FBI, da CIA e da KGB. O ingresso sai a US$ 11.
Um dos países que mais abriga judeus não poderia
deixar em branco o holocausto. Para tanto, o Holocaust Memorial Museum
(www.ushmm.org) reúne, em três andares e cronologicamente dispostos,
artefatos, fotografias e filmes. A entrada é gratuita.
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