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Viena Áustria
Com a proximidade do Natal, grande parte das atenções
de Viena se volta para o mercado de presentes e enfeites de época,
especialmente montado em frente à Rathaus (prefeitura). Essas feiras
geralmente começam no fim de novembro e vão até dezembro, até as
vésperas do Natal.
A tradição natalina da Áustria tem as figuras de
São Nicolau (uma das inspirações de Papai Noel) e de seu assistente
Krampus, algumas vezes retratado como um diabinho que cobra as crianças
pelas travessuras feitas durante o ano. Quem foi bonzinho ganha doces e
outras prendas. Já os maus recebem uma pedra de carvão.
Viena ainda reserva aos visitantes algumas outras
atrações que, se não são musicais, têm tanta importância quanto um
concerto ou ópera, como os quadros em exibição. Entre eles o sugestivo
- ao menos para casais - "O Beijo", de Gustav Klimt, em
exposição nas galerias do Palácio Belvedere. Para os homens
desacompanhados, uma boa dica é a sedutora Judite, do mesmo Klimt.
No Museu de História da Arte, a seção de pinturas
vale uma visita, com obras de Pieter Brueghel - como "A Torre de
Babel" e "Casamento de Camponeses". Também há espaço
para os cômicos quadros do italiano Giuseppe Arcimboldo, e seus modelos
feitos de frutas e objetos, como armas de guerra.
Valem a visita, ainda, alguns dos retratos frios e
escuros de Rembrandt, muitos dos quais auto-retratos, que mostram o
envelhecimento do autor. O museu conta ainda com uma coleção de
antigüidades egípcias e gregas.
Se você quiser trocar as paisagens estáticas dos
quadros e esculturas por algumas com movimento, uma boa sugestão é subir
a algumas dezenas de metros do chão na roda-gigante de Viena, que fica no
parque de diversões Prater e foi construída entre 1896 e 1897. Entre as
15 cabines existentes hoje, há duas de luxo, para reuniões ou jantares
românticos a dois - o aluguel da cabine não sai a menos de 130 euros por
meia hora.
Perto dali - mas a uma boa caminhada de distância -
estão o canal e o rio Danúbio, o principal da cidade, que oferece
passeios de barco.
No centro da cidade, há outra atração: a catedral de
Santo Estêvão (Stephansdom), que começou a ser construída no fim do
século 14, tem um telhado colorido e boa vista da cidade do alto de sua
torre. Há detalhes interessantes na igreja, como uma auto-referência de
um de seus construtores, Anton Pilgran, esculpido em um canto. Até o fim
do ano, a catedral ainda receberá concertos musicais.
Construído com influência grega pelo arquiteto
Teophil Hansen, o Parlamento (concluído em 1884) abriga o Congresso,
chamado de Câmara Baixa e Câmara Alta.
Espetáculos musicais e de dança também podem ser
vistos no Kursalon, que fica no Stadtpark (Parque da Cidade). Como
inspiração, vale dar uma volta no parque e contemplar as estátuas de
compositores, com destaque para a de Strauss, que parece feita de ouro.
Um bom programa de domingo é assistir ao coro dos
Meninos Cantores de Viena, um dos mais antigos do mundo, com cerca de
cinco séculos. Eles cantam na missa da capela do Palácio Imperial, o
Hofburg. As apresentações são concorridas e convém fazer reserva com
antecedência. Visite também os aposentos do palácio, em especial as
salas do tesouro, com jóias e vestuário dos imperadores Habsburgos.
Todo dia 31 de dezembro, ocorre o Kaiserball,
tradicional baile no Neue Burg, anexo do Hofburg. Mulheres devem ir de
vestido longo e homens de black-tie ou terno. Na prefeitura de Viena,
também há o baile de Ano-Novo Silvester Gala.
Se tudo isso for caro demais para o seu bolso, ainda
há esperança. Na passagem subterrânea em frente à Staatsoper, há um
sanitário público temático sobre ópera. As cabines imitam entradas de
balcões das salas de recitais. E uma visita é brindada com operetas que
são executadas em cada cabine. Tudo por 50 centavos de euro.
Separadas por algumas centenas de quilômetros, o que
Viena e Barcelona podem ter em comum? Em ambos os casos, existem
construções que, em formas e cores, fogem bastante ao padrão das
demais. Na cidade espanhola, muitas dessas obras saíram da mente de
Antoine Gaudí. As da capital austríaca são fruto da criatividade de
outro artista: Friedrich Hundertwasser.
Morto em 2000, aos 71 anos, Hundertwasser - que foi
batizado Friedrich Stowasser - também possui um acervo de pinturas que
caracterizadas pelo colorido e pelas figuras quase infantis das pessoas
retratadas. Mas é na arquitetura que ele mais se destaca.
A Casa Hundertwasser, uma de suas construções mais
famosas, é visível de longe. Na fachada, um jogo de várias cores como
azul, vermelho e branco, misturadas com diferentes estilos arquitetônicos
(tijolos à mostra e azulejos). No teto, um jardim suspenso. Sobre cada
janela, um vaso pintado.
Em uma das fachadas, um enigmático rosto recebe os
visitantes com expressão abobada e boca aberta. É uma pena que os
apartamentos, que seguem o mesmo estilo Hundertwasser, sejam habitados, e
não abertos ao público. Conhecê-los por dentro, só mesmo com a sorte
de encontrar e fazer amizade com um de seus moradores. Ou comprando
cartões-postais na loja que fica no térreo.
Perto dali, fica o Museu Hundertwasser, onde é
possível ver muitas das pinturas do artista e exibições. Mas,
novamente, o que chama a atenção são seus projetos arquitetônicos,
espalhados não apenas na Áustria, mas em outros países da Europa. Uma
das idéias que Hundertwaser mais defendia era o uso ecológico da
arquitetura: no museu, é possível contemplar a maquete de um condomínio
que ele desenvolveu em que as casas são cobertas com um tapete de grama e
construídas como se fossem colinas no meio de um vale. Um exemplo de seu
projeto está na vila de Blumau, o hotel Hot Springs.
Alem disso, Hundertwasser remodelou alguns prédios
existentes hoje, como o incinerador de lixo e aquecimento de Viena,
projeto a que ele inicialmente se opôs, até ter a garantia de que o
equipamento tinha os mais modernos dispositivos contra poluição.
O artista mostrou seu lado político em outras
questões, como ao tentar criar uma segunda bandeira para a Nova Zelândia
e até outra que congregasse os Estados de Israel e da Palestina.
Também se engajou em uma campanha para que os
veículos austríacos mantivessem suas tradicionais chapas negras, ao
invés de adotarem o padrão branco da União Européia.
O restaurante que fica no térreo é tranqüilo e serve
boa comida. Um bom lugar para experimentar as salsichas vienenses. Além
das obras de Hundertwasser, o museu recebe exposições temporárias.
Para quebrar um pouco a rotina museu-palácio, ou mesmo
entreter as crianças, a Musik Haus - ou simplesmente Casa da Música - é
uma sugestão interessante. Inaugurado em 2000 em um antigo palácio, o
local é uma espécie de museu do som, recheado de atrações mais
tecnológicas do que artísticas, que devem render horas de diversão. Se
não prestar atenção, pode passar o dia todo lá.
Logo de cara, o visitante é colocado numa simulação
de como os fetos devem captar os sons do exterior. E, nas primeiras salas,
é possível fazer em computador experiências com o som. Os programas
permitem criações inusitadas, como colocar uma vaca para mugir dentro de
uma pirâmide egípcia.
Mais adiante, há uma sala em que são reproduzidos
desde ruídos do metrô de Nova York até a chegada do homem à Lua. Ou,
por meio de "chuveiros" instalados na parede, ouvir barulhos
como o de um estômago roncando.
Um dos pontos altos da visita é uma seção Ópera
Cerebral em que é possível criar músicas com equipamentos feitos no
Instituto de Tecnologia de Massachussets, nos EUA. Não fique com vergonha
de experimentar alguns que parecem destinados a crianças, como um
estranho instrumento musical com botões de formas diferentes, cada um
emitindo um som.
Há, ainda, um software conectado a um grande telão e
uma varinha de maestro, com a qual é possível "conduzir" a
Filarmônica de Viena do alto de um pedestal. Cuidado para não apressar
demais o ritmo. Os músicos não gostam. "Estaríamos muito melhor
sem você", chega a berrar um dos integrantes da orquestra no vídeo,
em caso de falha.
Depois de tanta modernidade, vale passear por acervos
de compositores como Mozart, Beethoven, Haydn e Schubert. Incluem cartas,
cartazes de apresentações e até figurinos de óperas. Uma falha: nem
todas as legendas aparecem em inglês e as visitas monitoradas são em
alemão. É preciso recorrer mesmo ao audioguia.
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