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Punta del Este Uruguai
Quem nunca foi a Punta del Este sempre se pergunta o
que é que o lugar tem de especial para atrair tantos brasileiros. Só no
ano passado, até setembro, a cidade recebeu cerca de 26,3 mil visitantes
tupiniquins. Para aqueles que já estiveram na famosa península no
Uruguai, a resposta está na ponta da língua: agito, cassinos, excelentes
hotéis e restaurantes de primeira. Ah! Também tem praias. Bem bonitas
por sinal. Mas nada comparáveis às do litoral brasileiro.
Quem já viajou para lá e, como muitos, voltou várias
vezes deve ter aprendido que Punta del Este ferve à noite, nos vários
bares e boates lotados de jovens - argentinos, chilenos e claro,
brasileños. De dia, o sol forte ajuda a manter o bronzeado e a areia vira
palco de paquera ou de cama improvisada para aqueles que amanheceram
dançando.
Tudo aliado a um glamour marcado pela presença de
ricos e famosos do mundo latino-americano, que sempre dão o ar da graça.
Não é à toa que Punta del Este se intitula o balneário mais badalado
da América do Sul.
O que muita gente não sabe, porém, é que Punta, como
é carinhosamente chamada por seus assíduos visitantes, reserva uma
encantadora paisagem bucólica a menos de 10 quilômetros da costa. Longe
do agito e das praias lotadas, pequenos hotéis-fazenda são refúgio
perfeito para famílias e casais que querem curtir a cidade em toda sua
essência.
A vantagem das chamadas chácaras marítimas é poder
juntar em uma única viagem passeios a cavalo, observação de pássaros e
ciclismo a atividades na orla como mergulhos no mar, caminhadas na praia
e, para os que não resistirem, curtição à noite. Nesse jogo de
adivinhação para decifrar quais são os encantos deste balneário
uruguaio que seduzem tantos visitantes, há uma preciosa pista, exclusiva
de Punta: a Casapueblo, construída por Carlos Paez Vilaró. É a casa e o
ateliê desse consagrado artista plástico, além de museu, galeria, café
e até pousada. Entre suas paredes brancas paira uma atmosfera mágica que
alcança seu ápice na Cerimônia do Sol, todo fim de tarde. Uma
experiência que seguramente lhe fará entender melhor por que Punta é
tão especial.
Horas depois de desembarcarem em terras uruguaias,
dispostos a passar o verão dividindo o tempo entre vida noturna agitada,
compras e sol forte, os turistas comprovam que tudo aquilo que eles tinham
escutado falar sobre Punta del Este não era mito. E dias mais tarde já
entram no ritmo frenético da moçada.
Acordar cedo nem pensar. A praia fica para a parte da
tarde, pois o início do dia serve para dormir. É preciso curar a ressaca
e recuperar forças. Quem leva jeito para se exibir, conquistar ou se
divertir a valer noite afora, sem se importar em perder boas horas da
manhã, se sentirá em casa.
O que não falta em Punta é gente bonita, rica e
famosa saindo das mansões, sem grades nem portões, ou das Mercedes - que
mais tarde se descobre que tratam-se de táxis, na maioria das vezes.
Entre os mais jovens, a sensação é freqüentar pubs
como o concorrido Moby Dick, que funciona 24 horas, e seus vizinhos da
área do porto. Perto da Ponte El Camello - assim chamada por ter duas
grandes ondulações de dar friozinho na barriga -, mais bares e, um pouco
mais adiante, em La Barra, as boates. A mais conhecida delas chama-se La
Morocha.
A badalação pode ser boa, mas durma alguns dias mais
cedo para poder experimentar Punta de dia. Longe da areia, uma das
opções de diversão é o Museu do Mar. Além de curiosidades sobre a
vida marinha, como esqueleto de baleia, ele tem um salão de piratas, com
réplicas de barcos e histórias sobre a vida de mulheres como Anne Bonny
e Mary Read.
Na hora de ir para a praia, caia na água consciente de
que lá nem todas as praias são de mar. Um lado da península dá para o
Rio da Prata, chamado Playa Mansa. A faixa de areia é extensa e as
águas, tranqüilas. O calçadão é uma boa opção para aqueles que
querem conhecer detalhes da cidade sem compromisso nem pressa.
Do outro lado fica a Playa Brava, de frente para o
oceano Atlântico. Com ondas fortes, ela é muito procurada por surfistas.
Fica fácil saber que você está desse lado da península. Basta procurar
por "Los Dedos" na areia - escultura que faz parte do conjunto
de obras Paseo de las Américas.
O que as duas têm em comum? Muita gente e águas
bastante geladas, até mesmo no verão. Entre La Mansa e La Brava você
encontrará a rua mais famosa de Punta del Este. É lá, na Gorlero, o
point das compras e o endereço de um dos principais cassinos, o Nogaró
Punta del Este.
Seguindo a orla marítima chega-se a La Barra. Por lá,
Montoya é uma das praias mais visitadas. Mas, se não consegue mais ouvir
falar na dobradinha agitação e multidão, vá um pouco mais adiante e
curta a discreta (dentro do possível) José Ignácio.
Verdes pastos, montanhas ao fundo, lagos, cavalos,
vacas e até galinhas. Aliados à paisagem, comida caseira, silêncio e
sossego, muito sossego. É esse o cenário que Punta del Este esconde por
trás dos bares, restaurantes e boates de sua concorrida orla. Distante
até 10 quilômetros da praia, charmosas e aconchegantes, as chamadas
"chácaras marítimas" são tão diferentes daquilo que o
turista está acostumado a ver em Punta que a sensação é de ter mudado
de cidade sem ter andado mais que 15 minutos de carro.
Todas funcionam também como restaurante e casa de
chá. Se não ficar hospedado, vale, pelo menos, saciar o apetite e
aguçar o paladar com as delícias desses hotéis-fazenda mais
requintados. Então, vá direto à Posada Aguaverde. Do antigo refúgio de
soldados, a proprietária Blanca Álvarez de Toledo (que morou lá por
anos) manteve as paredes de pedra, o pé direito baixo e acrescentou
móveis antigos, espelhos com molduras pesadas e portas de madeira bem
rústicas. Imagine o Uruguai no século 18, com vários animais, entre
eles simpáticos patos.
Placas com nomes de famosos escritores
hispano-americanos, como Pablo Neruda, convidam a entrar em confortáveis
quartos (são oito no total) muito bem decorados e adaptados às
estruturas do passado. Piscina, cavalgadas, observação de pássaros e um
longínquo horizonte a ser admirado fazem parte da programação do hotel.
No alto da montanha, em Punta Ballena, a dez minutos do
centro e a cinco da praia, fica outra pousada, a Las Cumbres. À atmosfera
rústica de arquitetura colonial, móveis de madeira e detalhes divertidos
na decoração - como brinquedos antigos e artesanato bem colorido -
somam-se aspectos de sofisticação e uma vista privilegiada para o mar,
para as montanhas e para a Laguna del Sauce.
Há caminhadas, cavalgadas, ciclismo, sala de
ginástica e jacuzzi coletiva para entrar em forma e relaxar. Para os
apreciadores da boa mesa existe um restaurante que oferece cardápios para
almoço, jantar, café da tarde e um privilegiado happy hour bem na hora
do pôr-do-sol.
Privilegiado também é aquele que optar por ficar na
pousada La Manzanera. Os quartos ali têm nome de flores. Madressilva,
camélias, açucenas... Não importa qual escolher. Todos dão para o hall
principal que, no centro, tem uma piscina com temperatura agradável o ano
inteiro.
As paredes de vidro desse espaço permitem apreciar o
cenário sem levantar do sofá, e o ambiente ganha ares de um grande
jardim de inverno. As atividades são as mesmas que em outras chácaras
marítimas e incluem a observação de pássaros. A dica é sentir-se à
vontade e matar o tempo lendo, passeando ou beliscando alguma das
delícias do chá da tarde, todas preparadas artesanalmente.
Se for à cidade, reserve ainda mais uma tarde para o
famoso té de las cinco no pitoresco, porém muito elegante, L'Auberge.
Mais perto do centro, mas ainda afastado do tumulto por estar em um bairro
residencial, o hotel e casa de chá é famoso em Punta pelo tradicional
waffle belga feito na hora, pontualmente às 17 horas. E, acompanhado de
caldas e geléias, faz completo jus à fama. A arquitetura, imitando casas
dos Alpes, cria um clima de montanha, perfeito para quem não quer ficar
na praia.
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