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Orlando Estados Unidos
Os americanos são mestres em criar fantasias. Orlando
é uma prova disso. Os famosos parques da Flórida, que atraem pencas de
adolescentes brasileiros, são deliciosas máquinas de iludir. Ao mudar de
atração nos dois parques da Universal, entra-se também numa realidade
diferente. O mundo tecnológico do "Exterminador do Futuro", o
selvagem ambiente de "Jurassic Park", a Manhattan do
"Homem-Aranha".
Mais adiante surge o Pacífico. Estátuas de deuses
orientais, palmeiras e móveis de palhinha. A novidade na Universal
Orlando é um "brinquedo" bem maior do que aqueles vistos no
Islands of Adventure e no Universal Studios. É o Royal Pacific Resort,
investimento de US$ 200 milhões com mil quartos, o terceiro hotel Loews
no complexo. Seguindo a linha temática dos anteriores - o Portofino Bay
Hotel (750 quartos) recria uma vila mediterrânea e o Hard Rock Hotel (650
apartamentos) exibe a atmosfera rock'n'roll da marca -, o resort pretende
levar o visitante a uma viagem pelo Pacífico dos anos 40.
"Pegamos elementos de várias culturas. A idéia
não foi reproduzir um lugar, podemos ser qualquer uma daquelas
ilhas", diz o gerente-geral do Royal Pacific, Dale McDaniel. E tudo
é feito para que a ilusão não se desfaça. Os ambientes têm
decoração apurada, destaque para o Orchid Court Longue. Espécies de
orquídeas também estão no espaço ao lado, num jardim de inverno com
fontes em formato de elefante (símbolo de fortuna no Oriente).
Os funcionários desfilam colares das Filipinas. Em
toda parte, há painéis de madeira trabalhada a mão vindos de Bali, até
na parede vazada que separa a área do banheiro nos quartos. Sobre a mesa
nos apartamentos, o livreto recepciona o hóspede com Bula
("Bem-vindo", nas Ilhas Fiji) e deseja que ele Nikmati!
("Aproveite", na Indonésia).
Na parte externa, a piscina foi feita com rampa na
entrada (se torna funda aos poucos, imitando a sensação de entrar no
mar). A criançada curte os jatos do barco-playground Royal Bali Sea na
água. Ou, a seco, no Mariner's Club, sala com jogos. Para os adultos,
quadra de vôlei de praia, cabanas para alugar e espreguiçadeiras viradas
para o pôr-do-sol.
No canal em frente, um barquinho vem e volta - liga os
dois parques, três hotéis e CityWalk, espaço para entretenimento com
bares, boates e cinemas. Essa é uma das principais facilidades de se
hospedar na Universal. Nada de pegar carro, só aguarde a saída no deque.
O que chama atenção, no entanto, é o avião na
água. Logo que se vê a aeronave da Royal Pacific Airways, a reação é
procurar o Tatu. Lembra-se do pequeno gritando "o avião, o
avião" nas dublagens de infância. Mas não há Tatu. O veículo
está lá para simbolizar a ligação que os aviões faziam entre as
ilhas, não da "Fantasia", e sim do Pacífico.
A aventura pelo Oriente segue no Jake's American Bar,
uma das quatro opções para comer no resort. No teto, o charme: os
ventiladores são abanadores. Mas o toque oriental chega à comida com a
inauguração do Tchoup Chop, prevista para o outono americano (nossa
primavera). Emeril Lagasse prepara o cardápio com inspiração asiática.
O grupo Loews Hotels estuda abrir mais dois
empreendimentos na Universal Orlando. Enquanto eles não vêm, a aposta é
o resort. "A ocupação (90%) está melhor que esperávamos",
afirma o presidente da Loews, Jonathan Tisch. A expectativa é que a taxa
média seja de 80% no fim do ano.
Entre os hotéis dali, o Royal é o mais em conta.
Camila Mattar, de 27 anos, aprovou: "Viemos para cá porque saía
quase o mesmo preço de um hotel fora dos parques." Uma das primeiras
hóspedes do Brasil, ela foi para o resort com a família. "Não
vamos usar carro por dois dias", festejou.
A Universal Orlando também comemora. Nos três
últimos anos, passou de parque, o Universal Studios (aberto em 1990),
para destino de férias, com hospedagem e mais diversão. Em 1999, foram
inaugurados o Islands of Adventure e o Portofino Bay Hotel. Dois anos
depois veio o Hard Rock Hotel. E, desde 1999, a noite é no CityWalk, onde
segue a divisão temática.
Há do reggae Bob Marley ao pub Pat O'Brien's. O Latin
Quarter toca salsa. A decoração do NBA City remete ao basquete. No
Nascar Cafe, o assunto é corrida. Há ainda cinemas e lojas. É tanta luz
que você se sente num parque de diversão noturna. Fica até difícil se
decidir. "Temos um destino completo", diz Tom Williams,
presidente da Universal Recreation Group, que cuida dos parques da marca
no mundo. "A pessoa pode aproveitar os brinquedos cedo, voltar para a
piscina e depois ir ao CityWalk." Ou seja, brincadeira sem fim. Basta
escolher em que mundo entrar.
O calor úmido do verão da Flórida torna qualquer
espera de meia hora um martírio. É alta temporada, e as filas são
grandes nos parques. Aqui está talvez a maior vantagem de se hospedar na
Universal: mostre a chave do quarto e passe na frente nas atrações do
Islands of Adventure e do Universal Studios.
Outra facilidade para os hóspedes é pagar só uma
vez, no check-out. Os gastos vão para a conta final. E nada de carregar
Pica-Pau ou Scooby-Doo o dia inteiro. As compras são entregues no quarto.
Tudo para se divertir com conforto.
Separe um dia por parque e, antes de viajar, veja o que
há por lá no site www.universalorlando.com. Atrações novas só no ano
que vem, quando abrem Shrek e Jimmy Neutron. Mas não falta diversão nas
atuais - o consultor de criação foi ninguém menos que Steven Spielberg.
No Islands of Adventure, é imperdível ver "Spiderman".
Ponha os óculos 3-D e sente-se no carrinho para minutos de emoção. Quem
assistiu ao filme "Homem-Aranha" irá se lembrar do vôo sobre
Nova York, especialmente na queda de mais de 100 metros. Calma, é
ficção. O 3-D em movimento causa a sensação de se estar despencando
dessa altura, mas o carrinho não sobe nem um metro. Ilusão de ótica.
Perto dali, fica Hulk. Eleita nos Estados Unidos a
melhor montanha-russa no quesito intensidade, é mesmo de causar arrepios.
Geralmente esses brinquedos dão medo pelas voltas de cabeça para baixo.
Aqui, um pequeno agravante: a subida não é lenta, você é lançado para
o alto como uma bala de revólver. Daí seguem os loopings.
Pensou que fosse escapar? Não acabou o sufoco. Se o
assunto é frio na barriga, vá ao dois-em-um Dueling Dragons. São duas
montanhas-russas juntas. Correm uma contra a outra para causar a
impressão de que vão bater. Claro que não se chocam. Os fanáticos
pelos loopings dizem que só tem graça se você estiver sentado na
primeira fileira. Mas, vá por mim, na última também tem seu valor
(pavor).
Nem tudo é risco no Islands. As crianças têm vez na
Seuss Land. E há ainda montanhas-russas aquáticas e "Jurassic Park".
Aliás se o assunto é cinema, a diversão mora ao lado, no Universal
Studios. Não perca "Terminator", impressionante. Com o 3-D,
você se sente parte de "Exterminador do Futuro". O simulador de
"Back to the Future" leva o visitante num vôo "De Volta
para o Futuro". Para os fãs de games, o local é "Men in Black".
Escalado para ser um dos "Homens de Preto", você ajuda Will
Smith atirando nos alienígenas. Divertido até para quem nunca viu um
joystick.
Atenção, não coma muito antes das atrações mais
radicais e cuidado com câmeras, bonés e óculos. Mas o primordial:
divirta-se a valer. Mesmo que você não seja louco por parques
temáticos, acredite, você irá adorar a aventura.
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