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Las Vegas Estados Unidos
Transgressões sempre fascinaram a humanidade. Desde a
simbólica história bíblica da maçã, irresistível para Adão e Eva. O
sabor do proibido. Sexo, drogas e dinheiro são fantasias comuns. Podem
até terminar em ira, avareza, luxúria, orgulho ou inveja, cinco dos sete
pecados capitais, mas sem dúvida passeiam pelo imaginário da nossa
civilização. Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou, ainda que
secretamente, com algum deles.
De olho nisso, o mafioso Benjamin Siegel inventou um
monumento ao jogo: construiu o Flamingo, primeiro dos gigantescos
hotéis-cassino de Las Vegas. A história é contada no filme "Bugsy"
(como o gângster era conhecido), com Warren Beatty no papel principal.
Nasceu aí essa cidade do Estado de Nevada, freqüentemente comparada a um
oásis no deserto.
Cercada por montanhas na cor tijolo e de clima muito
seco, Las Vegas brilha à noite. Se colocadas lado a lado, todas as luzes
chegariam a uma extensão de 24 mil quilômetros. É isso mesmo! Ali tudo
é grandioso. O MGM Grand, um dos mais de 100 hotéis locais, tem nada
menos que 5 mil quartos. A hotelaria da cidade oferece 126 mil
apartamentos.
A meca do jogo hoje é uma espécie de Itu com neon.
Sobrou pouco do antigo ar "pecaminoso" ou do glamour dos tempos
em que Frank Sinatra e Dean Martin se apresentavam no finado Sands.
Entretanto, não falta diversão. O colorido da Strip, trecho sul do Las
Vegas Boulevard, concentra as principais atrações e revela uma Disney de
gente grande.
Enormes hotéis-cassino enfileirados recriam lugares
como Paris, Veneza e Nova York. No térreo de todos eles, um cassino.
Milhares de dólares vão pelo ralo na roleta, no blackjack, no pôquer,
nos caça-níqueis - a receita bruta da jogatina na cidade atingiu US$
53,4 bilhões na última década. Pertinho dali, as apostas são feitas em
outro tipo de sonho. As capelas recebem 100 mil casais por ano. É só
escolher a fantasia. E se arriscar sem culpa. Em Las Vegas, tudo é
permitido.
Abril de 1941. É inaugurado El Rancho Vegas, primeiro
hotel-cassino da futura cidade do Estado norte-americano de Nevada. O
local, a Highway 91, é agora muito diferente de então. Guarda as
principais atrações dali: gigantescos empreendimentos hoteleiros fartos
em jogatina.
A antiga rodovia virou a Strip, pedaço sul do Las
Vegas Boulevard. Ali, cada quarteirão exibe uma época, um mundo
particular. Basta mudar de hotel. O tempo de Rei Arthur no medieval
Excalibur, os cartões-postais da França no Paris e os canais e as
gôndolas no Venetian são algumas das inúmeras possibilidades.
A cidade não é grande. Turisticamente se resume ao
Las Vegas Boulevard e à Fremont Street. Mas ninguém diria que ela se
transformaria em algo tão grandioso. No meio do nada, num vale entre
montanhas do deserto, servia de lugar de descanso para os espanhóis a
caminho da Califórnia. Assim Las Vegas foi "descoberta", no
início do século 19.
Tornou-se uma cidade apenas em 1905. Com a
inauguração do Flamingo, em 1946, começa uma nova era. Segundo uma
edição do New York Times, em 1953 já existiam 1.800 quartos e um hotel
de primeira cobrava cerca de US$ 7,50 por dia. O número de apartamentos
subiu para 126 mil, e o preço médio da diária, para US$ 85,00, de
acordo com dados do Las Vegas Convention and Visitors Authority,
referentes ao ano passado.
Muita coisa ocorreu entre o ponto de parada no século
19 e a atual Disney da jogatina. A cidade atingiu seus golden years (anos
dourados) na década de 50 com o Rat Pack de Frank Sinatra, Dean Martin e
Sammy Davis Jr. e seus shows no Sands (atualmente, o Venetian). Até mesmo
Ronald Reagan se apresentou por duas semanas durante o ano de 1954 no Last
Frontier, que não existe mais. Hoje, grandes corporações administram os
empreendimentos hoteleiros. Camisas floridas, bermudas e tênis são
vestimenta comum nos salões refrigerados.
Outro sinal dos modernos tempos são os caça-níqueis.
Nos longínquos anos de estreante da Strip, serviam de diversão para as
mulheres matarem as horas enquanto os homens apostavam nas mesas. Agora
60% do que os cassinos ganham vêm desses jogos, com temas que vão de
Jeanne é um Gênio aos Três Patetas. Isso talvez explique por que eles
estão dentro de toda e qualquer construção de Las Vegas. Até no
aeroporto eles podem ser vistos. Quando desembarcar, sua primeira visão
será um aglomerado de maquininhas. E, diante delas, dezenas de
recém-viciados. Sem escapatória. Após uns dias na cidade, a
constatação: eles são você amanhã.
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