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Bruxelas Bélgica
Começar o passeio em Bruxelas conhecendo as
construções da Grand Place é tão natural como terminar num café
provando alguns dos mais de 450 tipos de cerveja belga. O principal ponto
de encontro dos turistas reúne imponentes prédios barrocos e góticos,
com detalhes dourados, intercalados com cafés e restaurantes, que
desenham um grande retângulo. Dentro dele, sempre uma multidão mirando a
máquina fotográfica.
Ali, a regra é mesmo parar e admirar. Seja a
arquitetura gótica do Hotel de Ville (a prefeitura) ou das diversas casas
das guildas - lugar onde na Idade Média se reuniam os trabalhadores de
uma mesma profissão. Ou entrar na Casa do Rei, construída no século 13,
onde hoje fica o Museu da Cidade de Bruxelas.
Boa oportunidade de ver antigas coleções de porcelana
e conhecer a história do Manneken Pis, o mascote da capital belga que
guarda pelo menos 15 lendas. Dá para escolher em qual acreditar. A
estátua do boneco fica a algumas quadras da praça. Não espere algo do
porte da Estátua da Liberdade. Apesar de assediado pelos turistas, ele
tem pouco mais de meio metro.
Num país onde a cerveja é tão bem-vinda - tanto
quanto é aqui -, pode ser interessante conhecer o Museu da Confederação
Belga de Cervejarias, também na Grand Place. Difícil imaginar que nos
séculos 18 e 19 ela era feita em caldeirões gigantes, que necessitavam
de pás do tamanho do serviçal para misturar o líquido.
Sem contar as lições técnicas sobre o preparo. Pelo
processo natural, levava três anos. Já foi assim, mas hoje em três
semanas ela está pronta, engarrafada e gelada. Um toque de folclore deixa
o passeio mais divertido. Contam por lá um ditado popular da Idade
Média: quem bebia água morria, e quem bebia cerveja vivia. Mas, na
época, eles tinham a água contaminada. Uma boa desculpa.
Depois de toda essa aula teórica, é inevitável sair
do museu e sentar-se num dos cafés para testar. É bom saber, entretanto,
que as cervejas mais fracas do país têm cerca de 6% de álcool. Para
comparar, o teor das brasileiras fica na casa dos 3%. A Bélgica, aliás,
tem a quarta produção da bebida no mundo. O país já teve mais de 3 mil
pequenas cervejarias no início do século, mas elas foram se fundindo.
Atualmente, são apenas 110.
Outros marcos para dar continuidade à jornada
clássica da capital belga incluem as igrejas Saint Michel, uma catedral
gótica, e também a Notre Dame de la Chapelle. Uma caminhada de cinco
minutos leva à Galeria Saint-Hubert, que surgiu em 1847, quando
construíram uma cúpula sobre uma rua comercial.
Hoje, exibe lojas com preços altos, chocolaterias e
salas de espetáculos. Vale passar por ali, mesmo que seja só para dar
uma espiada nas vitrines e no estilo arquitetônico.
Nas ruelas estreitas que ficam ao redor da Galeria
Saint-Hubert, sobram restaurantes com mesas nas calçadas e garçons
tentando fisgar o turista que passa por ali. Apesar do assédio, o preço
não é absurdo. Uma refeição farta pode sair em torno de US$ 10. Bom
lugar para provar os mariscos com batatas fritas, acompanhados de cerveja.
Trajando jaleco branco, um homem de bigode, cabelos
lisos e grisalhos jogados para trás abre a porta. A casa, a 20 minutos de
carro do centro de Bruxelas, não tem nada que a diferencie das vizinhas.
"Procura a fábrica de chocolate? Sim, é aqui mesmo."
Ele é Christiane Vanderkerken, mais conhecido como
Manon, o mesmo nome da chocolateria. Falando em voz baixa, conduz o
visitante até o lado de dentro, onde fica seu arsenal de produção. A
fábrica começou em 1953, com seu avô. Dele herdou o equipamento e a
técnica. Hoje, com três funcionários, no fundo do quintal, preparam de
forma artesanal uma coleção de 65 tipos, que mais parecem enfeites de
tão perfeitos. Alguns necessitam de mais de dez etapas até ficarem
prontos. Conseguem 25 toneladas por ano, sendo 85% disso exportado para os
Estados Unidos, Austrália, Japão e Canadá.
Manon mostra as barras que serão derretidas a 50º C
e, em seguida, conta que o chocolate ao leite deve secar a 28º C, e o
meio-amargo, a 32º C. Ninguém iria até lá apenas para adquirir
conhecimento técnico. A melhor parte vem em seguida, quando ele ensina a
degustar. Entre as dicas, a de que um bom chocolate tem 40% de cobertura e
60% de recheio. "E você tem de comer tudo junto, como um
coquetel", resume. Quem fizer direito vai sentir um sabor de cada vez
e aprender a distinguir o chocolate artesanal.
A fábrica não faz propaganda, mas recebe turistas com
hora marcada. Como ele, são muitos espalhados pela Bélgica, sobretudo em
Bruxelas. Ao todo, o país produz 172 mil toneladas por ano e tem 2.130
lojas de chocolate em seu território. Não importa em qual delas, a
indicação dos especialistas nunca deixa de ter na lista as pralines,
que, segundo eles, são as melhores em qualidade.
Manon revela, finalmente, que uma quantia de chocolate
por dia não faz mal a ninguém. Ele mesmo nunca dorme sem ter comido sua
cota sagrada de 200 gramas.
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