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Atacama Chile
San Pedro de Atacama - É muita areia. Depois de pegar
os passageiros no aeroporto de Calama, a duas horas e meia de avião de
Santiago, o carro atravessa a parte mais árida do deserto de Atacama,
deixando para trás o conforto da capital chilena em um rastro de poeira.
Até que, ao passar pela cordilheira de la Sal, com seus vales e montes
pontiagudos, a paisagem se abre para o Salar de Atacama, o maior depósito
de sal do Chile.
Nem nos sonhos de um pintor surrealista seria possível
desenhar uma imagem assim. A região, seca e inóspita, é cercada por
montanhas e vulcões cobertos pela neve eterna da cordilheira dos Andes,
limitada apenas pelo céu sem nuvens. Ao norte está a pequena cidade de
San Pedro de Atacama, a 103 quilômetros de Calama, destino da maioria dos
viajantes que deseja desbravar o cenário mágico e silencioso do deserto.
Não se deixe levar pela primeira impressão, por mais
grandiosa que possa parecer. Trata-se de um tipo de beleza diferente da
que os brasileiros estão acostumados. Enquanto nas praias e florestas do
Brasil a natureza revela suas paisagens de uma maneira pródiga e
generosa, o deserto esconde seus mistérios. O cenário apresenta uma
dimensão quase mística.
Em Atacama, o turista se depara a cada dia com novas
paisagens, que nunca se repetem, como um desafio à natureza e à fé do
homem. Para poder desfrutá-las, no entanto, é necessário bom humor e
excelente preparo físico na hora de enfrentar caminhadas e passeios de
carro, bicicleta ou a cavalo.
As temperaturas variam muito. Acostume-se a usar roupas
leves de dia e casacos grossos à noite. No inverno, de junho a agosto, a
média durante o dia é de 22°C, chegando
a -5°C à noite. No verão, de janeiro a março, a
temperatura atinge máximas de 32°C, com mínimas de 16°C. É quando
parte do deserto recebe o pouco de chuva que precisa, em apenas uma
semana.
Atacama, antes de tudo, é um deserto vivo, mesmo se
tratando da região mais seca do mundo, superando até o deserto do Saara,
no Norte da África. A média é de 15 milímetros de chuva por ano, mas
há trechos que não receberam uma só gota de água nas últimas
décadas.
No Salar, onde ficam 15 oásis criados pelas grandes
reservas subterrâneas de água, formou-se uma civilização de raízes
pré-históricas, com cultura e idioma próprios. Um passado ainda hoje
preservado, que se manifesta nas festas religiosas, no artesanato
indígena e na culinária.
Mais que belas paisagens, há também a fauna exótica
e graciosa, com flamingos rosados, viscachas (espécie de coelho) e
vicunhas (da família da lhama). E, sobretudo, há o silêncio, profundo e
inquietante, que consegue explicar todos os segredos do deserto.
Gêiseres (ao lado) fazem parte do roteiro de pontos
turísticos da região que é mais seca que o deserto do Saara: média de
15 milímetros de chuva por ano
Reserve ao menos uma tarde para conhecer San Pedro de
Atacama e a cultura local. O centro urbano - se é possível chamá-lo
assim - é formado por apenas oito ruas estreitas, de terra, onde vivem
mil pessoas. A população completa da comuna, incluindo a zona rural, com
seus oásis, é de quase 2,5 mil pessoas. A própria San Pedro está
situada em um oásis natural, coberto por árvores.
A arquitetura chama a atenção por suas casas
rústicas, de pedra e adobe (tijolo de argila prensado com palha). Na
praça central destaca-se a Igreja de San Pedro, logo em frente do posto
policial e da Prefeitura. O local é sede das principais festas religiosas
do povoado, comemoradas em junho - a de São João, no dia 24, e a de São
Pedro, no dia 29. Com muita dança, a celebração mistura o ritual
católico com a tradição e os costumes indígenas.
Por ser o centro administrativo da região, San Pedro
apresenta uma grande variedade de artesanato. Além das lojas, o turista
pode encontrar boas ofertas na feira de artesanato, aberta diariamente.
O artesanato mais representativo é o feito com lã de
ovelha e de lhama, com fio mais grosso, de alpaca, com cores variadas e
textura sedosa, e de vicunha, que, por ser selvagem, é mais raro e caro.
O turista pode comprar gorros, casacos e xales.
Outra curiosidade são as peças de cacto-candelabro.
Com a madeira da planta confeccionam-se xícaras, porta-retratos e outros
objetos, encontrados por a partir de US$ 8. As lojas oferecem ainda uma
infinidade de anéis e colares de prata.
Quem quer se aprofundar na cultura local deve ir à
Livraria Catalejos (rua Tocopilla, 420), que exibe mapas, livros e postais
do Chile e de Atacama. No local, ainda podem ser encontrados CDs e fitas
de músicas folclóricas andinas e chilenas.
ARQUEOLOGIA - Há muito para se ver no deserto de
Atacama. São necessários no mínimo quatro dias para conhecer com calma
as principais atrações. Comece o passeio pelos sítios arqueológicos
que guardam o passado pré-colombiano de Atacama. Depois de conhecer o
Museu Arqueológico Gustavo Le Paige, com suas cerâmicas e múmias,
pode-se admirar as próximas ruínas de Tulor e do Pukará de Quitor.
FLAMINGOS - No lago de Chaxa, no Salar de Atacama, é
possível encontrar flamingos rosados. A melhor época do ano é a
primavera, de setembro a outubro, quando as aves vão ao local para se
reproduzir. Nesse período, avistam-se bandos de até 300 flamingos, que
voam ao redor do lago num baile nupcial.
LA LUNA - Paisagem mais conhecida de Atacama, o Valle
de la Luna fica na cordilheira de La Sal, 12 quilômetros ao Sul de San
Pedro. A visita deve ser feita à tarde, com o pôr-do-sol. Antes, se
passa pelo Valle de Marte, ou Valle de la Muerte: é preciso ter
imaginação para observar as formações rochosas, que lembram a paisagem
de outro planeta.
LA SAL - A cordilheira de La Sal oferece outras
trilhas, muitas delas sobre antigas rotas de caravanas indígenas. Depois
de descer por montes escarpados, chamados de "dragões
adormecidos", o visitante se depara com um terreno embranquecido pelo
sal. O passeio pode seguir por fendas na rocha, cavernas e descidas que
desafiam o olhar - e os pés.
GÊISERES - A Laguna Verde e os gêiseres Del Tatio
estão a 4 mil metros acima do nível do mar, na região do altiplano.
Para evitar a puna, mal da altitude causado pelo ar rarefeito, servem-se
chá de coca e folhas da planta para mascar. Quando se chega aos 4.350
metros de altitude, a temperatura desce a -5°C. Em contraste, a água dos
gêiseres está a 87°C. Assim que os raios de sol tocam o solo, o vapor
atinge até 17 metros.
FOGUEIRAS - Para saborear o cardápio típico, San
Pedro oferece uma variedade de restaurantes. Um sinal da vida cosmopolita
é o serviço de internet. O toque de modernidade contrasta com o
ambiente. As casas, em geral, são aquecidas com fogueiras, para espantar
o frio da noite e poder apreciar melhor as estrelas.
CORDEIRO - A culinária do deserto é diferente da que
caracteriza o Chile, conhecido pelos frutos do mar. Em Atacama, comem-se
mais carnes e cereais, como trigo, milho e quínua, encontrado apenas no
altiplano. O forte da cozinha são o cordeiro e a galinha. Por causa da
grande criação de caprinos, é comum utilizar queijo de cabra em saladas
e em outros pratos.
VINHOS - Para acompanhar as refeições, pode-se
saborear uma boa variedade de vinhos chilenos, além do pisco, espécie de
aguardente da casca da uva fermentada. Não convém exagerar na dose. San
Pedro está a 2.443 metros acima do nível do mar e a altitude
potencializa os efeitos da bebida - e da ressaca.
ROCHA VULCÂNICA - O turista também tem oportunidade
de observar e comprar peças de artesanato no povoado de Toconao, o
segundo maior da região. No lugar do adobe, ali as casas foram
construídas com rocha vulcânica, garantindo que o ambiente permaneça
fresco de dia e quente à noite. O nome Toconao, no dialeto da região,
significa lugar de pedra.
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