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Guiar no exterior é um grande barato. De repente você
não é mais um simples turista. Já faz parte da paisagem. Em grande
parte dos Estados Unidos, além de mais emocionante, essa é a mais barata
maneira de se locomover Portanto, liberte o piloto que existe dentro de
você e ponha o pé na estrada, mas só depois de ler estas sugestões
Em qualquer aeroporto dos Estados Unidos há várias
opções para você alugar um carro. Mas, ao escolher o modelo, pense
antes na sua necessidade do que no sonho de guia aquele carrão que você
viu no filme. Se estiver sozinho ou em dupla, certamente qualquer modelo
servirá. Mas se a bagagem for volumosa, é bom conferir antes o tamanho
do porta-malas. Para quem pretende ficar estacionando em lugares públicos
(deve ser o seu caso), o melhor é optar pelos carros de três volumes,
onde a tralha fica escondida. Bagagem à mostra é bandeira, tanto cá
como lá.
Os carros podem ser subcompact, compact, standard,
full-size (aqueles Oldsmobiles ou Buicks enormes) ou vans. Sempre
seminovos. Quase sempre confiáveis.
Tomada a decisão, dê uma checada nas tarifas
oferecidas pelas várias companhias (elas costumam ficar em guichês
próximos à área de desembarque do aeroporto). Em vários deles, você
pode consultar também as tarifas de outras empresas, pelas linhas
privadas de telefone claramente identificadas.
Não bobeie: as tarifas para períodos mais longos são
muito mais baratas; portanto, não alugue por dia, a não ser que sua
estadia seja muito curta. Se você alugar o carro por uma semana e
estourar o prazo, os dias extras serão cobrados pelo valor da diária,
que é bem maior. Se você pretende devolver o carro em outra cidade,
verifique quanto isso vai lhe custar. As empresas cobram taxas variadas
por esse serviço adicional. Se a devolução for em outro Estado, a taxa
pode ser maior que o aluguel.
Para alugar o carro, você precisará de carta de
motorista comum, passaporte e, especialmente, cartão de crédito
internacional. O cartão é a garantia da locadora, que debitará as
despesas automaticamente, a não ser que você avise antes que pretende
pagar em dinheiro. A senha é cash! A vantagem de autorizar o débito em
cartão é que, na hora da devolução, você não perde um minuto. O
recepcionista olha o carro, digita alguma coisa numa maquininha estranha
que imprime o recibo, e pronto: você está livre!
Para não levar um susto com a conta, atenção com a
questão dos seguros. Eles são vários, são cobrados à parte e custam
uma nota. Se o seu cartão de crédito já
embute seguro de acidentes no exterior (confira
antes!), dispense o da locadora. Os mais cautelosos tiram suas dúvidas
antes com a companhia de seguros no Brasil. Mas não deixe de pagar o
seguro LDW (Loss Damage Waiver), porque senão qualquer batidinha vai lhe
dar a maior dor de cabeça. Agora: cuidado! Se você não falar no
assunto, a empresa lhe cobrará todos os seguros automaticamente. E a
regra por aqui.
Depois de bater o martelo, um microônibus o levará
até o estacionamento da locadora e provavelmente o deixará ao lado de
seu carro. Importante: peça o telefone da companhia, caso você precise
de assistência técnica
Você chegou ao carro. Nada daquelas
"carroças" de que um certo Fernando Collor falou. Observe: ele
é automático. Todos são assim nos EUA. Isso significa que você virará
a chave e o carro não vai dar sinal de vida, a não ser que você pise no
freio. A posição P (Park) nos automáticos é para estacionar. O ponto
morto é N (Neutral). Para frente, D (Drive). Para trás, R (Rear). Cheque
todos os botões e alavancas. Em muitos carros você abre o porta-malas ou
a porta traseira por um botão no painel. Ou seja: se você o apertar na
hora errada, sua bagagem pode ir parar no meio da rua.
O velocímetro e o odômetro marcam em milhas (1609
metros). Se você se esquecer desse detalhe, corre o risco de botar o
ponteiro no 100 e ser perseguido por todos os xerifes da região a 160
quilômetros por hora. O que só é emocionante nos filmes americanos; na
estrada é multa pesada. O melhor é utilizar um dispositivo que quase
todos os carros americanos possuem, chamado cruise control. Por ele, você
programa a velocidade que vai usar (respeite os limites, com mais ou menos
10% de tolerância), e deixa o pé descansando que o carro vai sozinho. Se
for preciso frear, o dispositivo se desarma automaticamente. Confira
também onde fica o botão da tampa da gasolina, porque muita gente chega
no posto de abastecimento e passa o maior carão até achar o danado. Os
bons carros possuem air-bag e, se você alugar uma banheirona americana, a
alavanca do hidramático pode estar do lado direito da direção. Anote o
número da chapa para não se perder nos megaestacionamentos
(principalmente em Orlando) e pé na estrada.
Comece por um bom mapa. A malha rodoviária americana
é enorme, quase não há pistas ruins (o ruim deles é muito melhor que
nossas federais mais importantes). O segredo é memorizar o número da
estrada que você escolheu e a direção. As rodovias americanas sempre
têm placas de indicação. N para Norte, S para Sul, E para Leste, W para
Oeste. Se você não se lembrar disso nos acessos, especialmente nas
cidades grandes, pode ir parar involuntariamente no México. As rodovias
federais têm a sigla US, as estaduais vêm acompanhadas da letra I (Interstate)
e quando você ver uma placa Toll se trata de uma rodovia privada, com
cobrança de pedágio. Os limites de velocidade variam de Estado para
Estado, mas não dá para você usar isso como desculpa porque há placas
de Speed Limit a cada milha. Quanto aos postos de gasolina, eles não
ficam na beira da estrada como no Brasil (só nas muito secundárias).
Você precisa sair da rodovia num acesso determinado para, aí sim,
encontrar não apenas gasolina, mas lanchonetes, motéis - aqui de fato
para dormir! - e restaurantes.
Não se esqueça de alertar as crianças para não
jogarem a lata do refrigerante ou o papel do chocolate pela janela do
carrão. Esse comportamento, que aqui se chama littering, é
contravenção pesada. O tamanho do prejuízo? Na US-1, proximidades de
Carmel, a multa para sujismundos é de 2 mil dólares!
Outra recomendação: se você estiver viajando no
inverno, confira antes se a estrada está transitável. Muitas delas são
fechadas sob condições de baixa temperatura, mesmo se não há neve,
porque o orvalho congela e transforma as pistas em ringues de patinação.
Cuidado também nas pontes, porque as junções metálicas também
congelam e tiram o carro da pista quando o frio é intenso. Fique ligado
ainda nas condições do acostamento. Em Estados como a Califórnia,
Nevada e Arizona, entre outros, há várias rodovias que atravessam
desertos. Nesses locais, se você topar com placas que dizem Soft Shoulder:
isso significa que o acostamento é fofo e você pode ficar atolado. Não
minimize o problema, porque entalar no deserto pode ser uma experiência
aterrorizante. Falando em acostamento, existe uma transgressão de
trânsito nos Estados Unidos que é mais do que uma simples contravenção
sujeita à multa. Trata-se de um hábito infelizmente freqüente no
Brasil: trafegar de ré no acostamento porque se perdeu uma saída. Aqui,
se você fizer essa bobagem, terá o carro apreendido e, na maior parte
dos Estados, pode parar na cadeia. Com direito a processo e sem chance de
passar uma "lábia" no xerife.
Guiar em São Francisco é diferente de guiar em Miami.
Assim como guiar em Nova York é uma bobagem, porque o trânsito não
anda, não existe lugar para estacionar e qualquer outro meio de
transporte é mais inteligente. Mas, de forma geral, o trânsito nas
cidades americanas - grandes, pequenas ou médias - é civilizado e segue
algumas normas básicas. A primeira, que no Brasil não se costuma seguir,
é observar as faixas. Quem vai para a esquerda, usa a faixa da esquerda.
Quem vai para a direita, usa a da direita. Há recuos nos cruzamentos, de
modo que dá perfeitamente para você cruzar a pista oposta e entrar à
esquerda, respeitando os semáforos específicos (em geral de três ou
quatro fases). Pedestres sempre têm preferência. Ou seja: se uma pessoa
qualquer for cruzar a rua, quem pára é o motorista. Nas avenidas mais
movimentadas, as faixas de pedestres são orientadas por semáforos.
Quando ver uma placa X-ING, não significa que você tenha de xingar
ninguém. Nos EUA este é o símbolo para crossing, e significa que há um
cruzamento nas proximidades. Quando a placa for Ped X-Ing, trata-se de
travessia de pedestres.
Outro comportamento estranho para nosso trânsito voraz
é a preferência nos cruzamentos. Quando não há semáforos ou a placa
STOP (aqui é para parar mesmo!), cruza primeiro quem chegou primeiro. O
outro pára. Se há carros nos quatro lados do cruzamento, entra um por
vez, de acordo com a ordem de chegada e assim consecutivamente. Tudo tão
em ordem que a gente até fica confuso.
A questão não é apenas de civilidade: é de
punição também. Multas nos EUA são caras e sempre aparece um xerifinho
- você nem vê de onde - com jeitão incorruptível. Nem tente passar uma
nota enroladinha, porque dá cadeia!
Nas principais freeways das grandes cidades, você vai
reparar que, mesmo quando o trânsito está congestionado, há uma faixa
livre na esquerda, geralmente identificada por um losango pintado no chão
ou pela placa Pool Lane. Essa faixa é reservada para carros que estejam
levando no mínimo duas pessoas, de modo a incentivar que parte da
população deixe o carro em casa. Se você estiver com a família, entre
tranqüilo. Se estiver sozinho, não arrisque. Não arrisque tampouco
estacionar em lugares proibidos. Você está sujeito a guincho, e o
guincho quase sempre vem mais rápido do que você possa imaginar. O nome
para isso é Tow Away. Se você ver qualquer variação sobre o tema tipo
Towing Zone, Towing Área etc., evite que é fria. O mesmo ocorre se você
tentar burlar o parquímetro: ponha sempre tantas moedas quantas
necessárias para o período em que você ficará parado (a relação
valor/tempo está marcada no aparelho). Finalmente, quando você der com
uma placa onde se lê Fine, isso não quer dizer que acabou a rua ou que
está tudo bem. Fine, quando vem ao lado de um valor em dólares,
significa multa - quer dizer, o tamanho de seu prejuízo. Uma última
dica: atenção com os ônibus escolares. Eles são amarelos como você
vê nos filmes e quando estão transportando crianças são absolutamente
prioritários. Se um veículo desses parar para descarregar uma criança,
você está terminantemente proibido de ultrapassá-lo. Simplesmente pare
atrás, mesmo que haja espaço para ultrapassagem, espere o motorista
descer e conduzir a criança até um lugar seguro e só depois retome o
caminho..
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