SÃO PAULO
Assim como Brasília, a região dos Jardins também foi planejada, num
projeto assinado pela empresa inglesa City of São Paulo Improvements and
Freehold Company Limited ou, apenas, Companhia City. Nas décadas de 60 e
70, no entanto, o crescimento de São Paulo passou por cima dos planos da
Companhia City. A maioria dos sobrados foi reformada e se transformou em
bares, restaurantes e lojas. Isso deu um gelo nas lojas da região - o ar
um tanto quanto decadente do comércio só desapareceu de uns cinco anos
para cá com a abertura das importações e, conseqüentemente, com a
chegada das grandes griffes. A grande novidade local é a abertura da
Baccarat, a loja dos cristais que há séculos enfeitam os tetos de
palácios europeus. Note que não é em qualquer lugar do mundo que a
Baccarat resolve abrir suas portas, da mesma forma que não é em todo
lugar do mundo que se encontra tamanha concentração de griffes por metro
quadrado. Essa vocação para o comércio chique do bairro já é antiga e
começou pela Rua Augusta. Na década de 50, com a decadência do centro
da cidade, as lojas mais requintadas começaram a se mudar para lá. A
tarde, o lugar pegava fogo com a saída dos alunos dos colégios Dante
Aligheri e São Luís. Aliás, o Frevinho da Augusta foi também a
primeira lanchonete onde se comia hambúrguer sentado.
Guardadas as devidas proporções, os modernos que hoje usam cabelos
pink ocupam o lugar dos antigos boyzinhos da jovem guarda. Isso sem falar
das casas que servem pratos da cozinha escandinava, judaica, japonesa,
tailandesa etc. É por isso que, entre outras mordomias, o morador dos
Jardins não troca seu bairro por nada. Vá lá que o trânsito seja ruim,
mas quem trabalha na região nem precisa tirar o carro da garagem.
Os Jardins são um grande shopping center, com várias lojas de griffes,
sendo que a maioria delas está no miolo das ruas Oscar Freire, Bela
Cintra e Haddock Lobo. Na Bela Cintra, por exemplo, estão a única loja
da Gianni Versace no Brasil (número 2209)e a Emporio Armani, no número
2093. Já a Christian Lacroix fica na Haddock Lobo, 1594. Bem na frente,
no número 1567, está a Cartier, inaugurada há alguns anos. Ao lado
dela, a Louis Vuitton faz a alegria das patricinhas do bairro. Ainda na
esquina da Oscar Freire com a Bela Cintra, fica a Kenzo e a Tierry Mugler.
É nesse pedaço que será inaugurada daqui a poucos meses a primeira loja
dos cristais Baccarat no Brasil. Isso sem falar nas casas assinadas por
estilistas brasileiros como Reinaldo Lourenço (Rua Bela Cintra, 2173) e
Glória Coelho (Rua Oscar Freire, 978). No número 2194, a loja de discos
Hi Fi fez história como ponto de encontro dos amantes da MPB quando a rua
era infestada pela turma da jovem guarda. Já as preferidas dos clubbers
ficam na Galeria Ouro Fino (Rua Augusta, 2690). Vale também passar na
Cleusa (Rua Haddock Lobo, 1738), tradicional loja de presentes que tem na
entrada a árvore mais antiga dos Jardins, uma figueira de 300 anos. Um
bom programa é a feirinha de antiguidades do Masp, aos domingos, das 10h
às l7h, no vão livre do Masp, no número 1578 da Avenida Paulista.
A partir da quinta, o trânsito do bairro começa a ficar bem
complicado. Dependendo da hora ou do dia da semana, conseguir lugar para
estacionar o carro dá direito a medalha em gincana. A linha Paulista do
Metrô, que funciona até meia-noite, também é uma opção.