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JOÃO PESSOA
João Pessoa está lá, no extremo oriental do país,
avançando sobre o Atlântico como nenhum outro lugar das Américas. Num
pedacinho de terra bem arborizado, que separa as praias de Cabo Branco e
do Seixas, há um farol com design arrojado e uma encosta avarandada sobre
o mar: ali começa o Brasil - ou termina, dependendo do ponto de vista.
Lá há as praias, o verde da água do mar e também das árvores. Não
há, tampouco, risco iminente para a lagoa do Parque Solon de Lucena e
suas palmeiras imperiais, para os casarões do Centro Histórico, nem para
a belíssima Igreja de São Francisco. E a mesma eternidade está
reservada às tão procuradas ilhas de areia, como Picãozinho e Areia
Vermelha, que afloram e somem diante dos nossos olhos, ao sabor das
marés.
Quando tudo começou, os portugueses batizaram-na Nossa
Senhora das Neves. Passaram-se anos e alguém lhe acrescentou um Filipéia
antes de Nossa Senhora, chamando-a então de Filipéia de Nossa Senhora
das Neves. Depois, com a passagem dos holandeses, a cidade virou
Friederistadt - ou Frederica, bem mais pronunciável. Haveria ainda
Parahyba, com "h" e "y", como era costume antigamente,
tomando de empréstimo o nome do Estado. Mesmo entre os pessoenses - é
assim que se chamam os nascidos na cidade -, também há os que
desconhecem ou quase esqueceram a origem do topônimo. Numa pesquisa
recente, alguns responderam que João foi um jogador de futebol. Nada
disso. João Pessoa era governador da Paraíba em 1930, quando foi
assassinado. A tragédia aconteceu numa confeitaria de Recife, devido a
desavenças com outro João, de sobrenome Dantas, seu principal
adversário político.
Segundo se diz a cidade é a segunda mais arborizada do
mundo. Alguns analistas internacionais tomaram nota dessas reservas de
mata atlântica, depois dividiram o número de árvores pelo de habitantes
e pronto: chegaram a um resultado surpreendente, acima da média. Só que,
para se sentir realmente abraçado pelo verde, é preciso caminhar num
desses dois parques. As praias da cidade são Tambaú (e sua
ilha-satélite, Picãozinho, a apenas um quilômetro da orla), Manaíra,
Bessa, Cabo Branco, Seixas e Penha. Mas, é preciso considerar também o
vizinho município de Cabedelo que, na prática, é uma extensão da
capital. A lista então aumenta: Intermares, Poço, Camboinha (e sua
ilhota, Areia Vermelha, também a cerca de 1 quilômetro da orla), Areia
Dourada, Formosa, Ponta de Matos, Miramar e Jacaré.
Alguns bares localizados junto ao Rio Paraíba, como o
Jacaré Bar e o Aldeia do Rio, estão estrategicamente voltados para o
poente. Todo dia, em horário estudadíssimo, eles disparam o Bolero de
Ravel, que invariavelmente termina junto dos últimos suspiros do sol. É
emocionante.
Mas os melhores lugares para banho e mergulho são
Picãozinho e Areia Vermelha. Segundo dados do governo paraibano, é
exatamente essa característica que vem consagrando a capital no roteiro
de viagem de muita gente: ano passado, houve um crescimento de 38% no
turismo.
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