|
BELÉM
Com suas mangueiras centenárias, frutas exóticas e
vestígios da riqueza da borracha, a capital do Pará é uma grande festa
tropical. Afinal, estamos falando de uma cidade fluvial, que desde a
época dos tupinambás assiste na fila do gargarejo a um dos mais
magníficos encontros de águas do mundo, a foz do Rio Amazonas (as
margens do rio estão relativamente longe, mas Belém é super
privilegiada pelos seus afluentes). E o rio é a jugular da grande
floresta, é uma avenida misteriosa, onde vai e vem gente, bicho vivo,
bicho morto, fruta, mosquito, peixe, ervas, ovos, grades de cervejas e
refrigerantes, garrafadas, penas coloridas, madeira legal, madeira ilegal,
drogas, dólares, ratoeiras, fumos, armas e um universo de bugigangas que
a gente não consegue identificar, nem supor a utilidade.
De observador impune você passa a observado,
protagonista de uma trágica comédia urbana, O motorista do táxi, o cara
da banca de jornais, o porteiro do prédio, toda a comunidade da rua está
atenta em você, a bola da vez. Uma manga, gente, por um triz! E ali
está, a mulher distinta, pronta pra atravessar a rua, ciente de tudo.
Dias depois, impregnado da cidade, você vai rir da brincadeira da jaca -
que aliás é recorrente. Você já ouviu falar em murici? E em umari?
Grumixama´? Puruí? Guajará? Pajurá? Ajuru? Taperebá? Menos famosas
para o resto do mundo do que manga, carambola e caju, todas essas frutas
circulam em Belém, vendidas a preço de banana - que também tem, e
muita. Mas, para encerrar o assunto, não é a bendita manga a fruta mais
típica de Belém e do Pará. Não há lugar na cidade, sequer nos
descaminhos de água rio abaixo ou rio acima, onde não se possa ver a
plaquinha roxa de letras brancas: AÇAÍ. Isso mesmo: Barato Legal, no
bairro do Coqueiro, quase divisa com o município de Ananindeua. É nessa
praça que está o Teatro da Paz, fundado em 1878, um monumento de
aparência grega em plena Amazônia (é possível visitá-lo de terça à
sexta-feira, das 9h às 18h).
Outro lugar interessante é o Forte do Castelo,
primeira construção da cidade. Contam que Francisco Caldeira Castelo
Branco, o pioneiro, a pretexto de defender os interesses portugueses e
espanhóis na foz do Rio Amazonas, lançou a pedra fundamental do forte em
1616, depois de ter avistado uma "estrela-guia" junto à
desembocadura do Rio Guamá, diante da baía de Guajará (tanto que o
forte foi batizado, primeiramente, Forte do Presépio e a cidade, depois,
virou Belém).
Para quem odeia canhões, a jornada começa no Bosque
Rodrigues Alves, uma formidável reserva florestal inspirada no Bois de
Boulogne, de Paris. É um pedaço de floresta preservado no coração da
cidade, em generosos 160 mil metros quadrados, com trilhas, minizoológico,
viveiros, orquidários, quiosques, lagos, rios, cascatas e, acima de tudo
(mesmo), árvores centenárias, altíssimas, imponentes, monumentais,
incrivelmente grandes, testemunhas mudas das muitas transformações da
cidade. Criado em 1866, o Emílio Goeldi é um dos mais importantes
centros de estudos amazônicos do mundo, incluindo aí valiosíssimas
coleções de espécies animais e vegetais. Tem também as igrejas,
programa para quem tem muito interesse histórico, arquitetônico ou, pelo
menos, alguns pecados: Igreja da Sé, de Nossa Senhora do Rosário dos
Homens Pretos, de Santo Alexandre, de Sant´Ana, de Nossa Senhora das
Mercês, de Nossa Senhora do Monte do Carmo e, claro, a Basílica de Nossa
Senhora de Nazaré, templo maior da gigantesca procissão do Círio, que
todo segundo domingo de outubro congrega mais de um milhão de pessoas.
Outra oportunidade de andar com fé, misturando-se à
multidão, é o mercado do Ver-o-Peso, que quase todo mundo conhece das
fotos nos calendários de parede. Os primeiros registros vêm do século
17, quando tudo que ia e vinha pagava tributos à Coroa portuguesa,
conforme os ditames da balança - daí o nome: "ver o peso". A
rigor, a não ser pelas mudanças na cobrança dos impostos e a quem eles
se destinam, pouca coisa mudou no Ver-o-Peso desde o tempo do Império. A
poesia aqui está mais para Augusto dos Anjos do que para Vinícius de
Moraes.
Frio em Belém quer dizer 20 graus, coisa bem rara. Mas
a cidade quase nunca atinge a fervura do Rio de Janeiro ou mesmo de uma
Nova York no verão. Belém é servida pelas principais companhias aéreas
com vôos diários (consulte horários, tarifas, pontos de partida e
escalas na tabela de Vôos Nacionais nesta edição). Para ir às ilhas de
Marajó e Cotijuba, compre uma das várias excursões de barco.
Leve roupa leve, camisetas, bermudas, sandálias e
boné são fundamentais. Não esqueça também do protetor solar e dos
óculos escuros (guarda-chuva é uma opção pessoal) Mochilas são
melhores do que valises para quem pretende andar de barco. Março costuma
registrar até 28 dias de chuva, enquanto em novembro a média é de 13.
Não volte sem Cerâmicas do tipo marajoara (o
município de Icoaraci é a meca), cerâmica baetetuba (no Mercado
Ver-o-Peso) sachês de cheiro, escama de pirarucu (para lixar as unhas),
ervas e raízes aromáticas, refrigerante Garoto (esse guaraná é a cara
da cidade).
|