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ILHÉUS
A terra de Gabriela quer tirar suas belezas naturais do
anonimato para dar a volta por cima na crise do cacau. Não tem o mesmo
brilho de algumas décadas atrás, é verdade, quando a cidade vivia o
apogeu do cacau e o libanês Emílio Maron podia ser encontrado à frente
do caixa, coçando o bigode de satisfação com o movimento. O romance, em
que o personagem Nacib é o retrato perfeito de Maron, enquanto Gabriela
parece mais uma mistura da mulher dele, D. Lourdes, com Agapita, mulata
sensual que virou a cabeça do português Figueiredo, primeiro dono do
Vesúvio, até hoje atrai leitores do mundo inteiro para a cidade.
"Jorge é uma espécie de Padre Cícero da
região, de tão festejado. Apesar de encher de orgulho o município do
sul da Bahia, esse fluxo turístico dos fãs de Jorge Amado - que tem
outras cinco obras dedicadas a Ilhéus, além de Gabriela - sempre foi
feito de gatos-pingados. A cidade, que na maior parte deste século
figurou entre as mais ricas do país, sustentada pela maior produção de
cacau do mundo, não tinha mesmo por que se importar com o número de
visitantes que recebia. De olho no sucesso da vizinha Porto Seguro, que
virou um dos destinos mais concorridos e baratos do Brasil, a terra de
Gabriela vive hoje um esforço de renovação - e, por isso mesmo, esse é
um bom momento para conhecê-la de perto. Hoteleiros foram convocados a
baixar as tarifas, a restauração de prédios históricos está sendo
feita com a ajuda de empresas (veja quadro), e a cidade passou a apregoar
as belezas da Costa do Cacau, que se estende por 180 quilômetros e é
marcada pela presença constante da Mata Atlântica. Ilhéus também
instituiu uma prévia do Carnaval em janeiro - que neste ano teve Daniela
Mercury como grande atração - e está incentivando produtores de cacau a
transformar suas fazendas em atrações turísticas.
As primeiras a entrar nesse circuito foram as fazendas
usadas como locações da telenovela Renascer, da Globo. "A
lucratividade do cacau, que era de 70% antes da vassoura-de-bruxa, agora
não passa de 10%. A substituição da cultura do cacau também é um
assunto que preocupa a prefeitura de Ilhéus, pela importância dos
cacaueiros na preservação das reservas florestais. "Ilhéus tem 80
quilômetros de praias e um jardim por trás, que é a Mata Atlântica. Ao
sobrevoar a Costa do Cacau, o intérprete de Indiana Jones teria definido
aquele trecho de mata à beira-mar como um dos lugares mais bonitos que
já tinha visto no mundo, juram os ilheenses que o acompanhavam.
A Costa do Cacau estende-se por 110 quilômetros ao sul
de Ilhéus e por 70 quilômetros ao norte. Tem acesso por estrada
asfaltada e está pontilhado de bons hotéis, com destaque para o
Transamérica, na Ilha de Comandatuba, em Una, que esta entre os maiores
resorts da América do Sul. Naquela época, uma das maiores
demonstrações de status social era tomar banho de mar nas praias fora do
perímetro urbano - desde, naturalmente, que se fosse até elas de carro.
Da ostentação daquele tempo, restaram a arquitetura
ambiciosa de alguns prédios, as ruínas do Bataclã - o cassino e bordel
de luxo que atraía cortesãs européias - e muitas lembranças. A
recuperação do patrimônio histórico de Ilhéus não anda no mesmo
ritmo do programa que restaurou o Pelourinho, em Salvador, mas tem dado
alguns passos concretos. Jorge passou nessa casa sua juventude, e lá
escreveu seu primeiro romance, O País do Carnaval, aos 18 anos. Quanto à
formação do escritor, não há dúvida de que ela se deu em Ilhéus. Foi
ali que ele freqüentou a escola, bebeu com seus personagens no Vesúvio e
viu os primeiros filmes no cine-teatro bem em frente à sua casa - e, até
os 9 anos, beneficiava-se dessa vizinhança para ir mamar no peito da mãe
no intervalo das sessões.
Favorita dos banhistas, a Praia dos Milionários é
também o point mais agitado nas noites de quinta a sábado, com suas
barracas de música ao vivo. Ao contrário de Porto Seguro, o ritmo axé
não predomina por ali, dividindo o público com o rock - especialidade,
aliás, da Barraca do Farol, a mais animada. O city tour básico de
Ilhéus passa pela Igreja Matriz, Museu de Arte Sacra, Catedral de São
Sebastião, Vesúvio, Teatro Municipal e Casa de Jorge Amado, e depois
sobe os morros para dar uma idéia geral da cidade. No circuito
ecológico, há três opções. Para entrar no espírito da cidade, fique
uma semana, que é o período previsto na maioria dos pacotes. Menos do
que isso, você corre o risco de não conhecer nenhuma Gabriela - e se
desapontar.
Como é a terra de Jorge Amado, escolha alguns dos seus
livros dedicados à cidade - Gabriela, Terras do Sem Fim, ou São Jorge
dos Ilhéus, por exemplo - para se inspirar entre os passeios.
Há postos de atendimento aos visitantes no aeroporto,
na estação rodoviária e na Ilheustur, na Praça Castro Alves, (073)
634-8144. Informe-se também nos hotéis ou nas agências locais.
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