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GRAMADO
Gramado, no alto da Serra Gaúcha, foi abençoada pelo
ar da montanha, pela geografia privilegiada e pelo esmero de seus
moradores. Em cada estação do ano, a cidade se transforma. No verão, a
temperatura fica em torno dos 20 graus. Na primavera, a cidade fica
colorida como um cartão-postal, principalmente pelas hortênsias, a
flor-símbolo da cidade, que começou a ser plantada na década de 40 e
virou mania. A região do Lago Negro, por exemplo, destruída por um
grande incêndio em 1942, foi reflorestada na década seguinte com
vegetação trazida da Floresta Negra, na Alemanha, reproduzindo a
paisagem de um lago europeu.
Mestre na arte da criação de cenários, Gramado, ao
importar uma floresta alemã, plantava mais uma semente para os tu-ristas,
que veio a se somar à boa infra-estrutura hoteleira e ao comércio
diversificado. Se, para agradar aos turistas, Gramado chegou ao requinte
de compor um cenário da Baviera, nada mais natural do que ir buscar na
Europa uma das comidas mais charmosas do mundo: o fondue. Esse tempero
europeu, no entanto, não tirou a força do tradicional café colonial
gramadense, este sim com raízes fincandas na terra. Ele surgiu do
reforçado café da tarde que as mulheres preparavam para quando os
colonos voltassem da roça. Gramado tem passeio de trenzinho que sai da
Igreja São Pedro e vai até o Lago Negro, onde se pode andar de
pedalinho. A fábrica da Prawer, a maior de Gramado, é aberta para o
público. Até mesmo as lojas de chocolates caseiros da Rua Borges de
Medeiros têm seus métodos de atrair a criançada, além do óbvio
chocolate nas prateleiras. Com esse clima de fábula, não é de estranhar
que muitos imigrantes italianos e alemães tenham escolhido esse lugar
para recriar sua pátria na terra dos canarinhos. A colonização começou
em 1875, como no restante do Rio Grande do Sul, mas ainda era cedo para se
falar em cidade no alto da serra. No começo, chamava-se Gramadinho, um
local de descanso para os tropeiros que iam do litoral ao nordeste do
Estado. As primeiras famílias assentaram-se no local onde hoje está o
Lago Joaquina Bier, construído artificialmente e um dos locais mais
bonitos da cidade. Mas, nessa época, o centro da vida de Gramado estava
onde hoje é a zona rural, mais precisamente na Linha Nova, a cerca de 7
quilômetros do centro. Neste caso, entenda-se Linha como bairro, divisão
feita para facilitar a vida dos carteiros na época. Hoje, ainda restam a
igreja e algumas casinhas distantes umas das outras que ainda guardam o
estilo original do início da colonização. Pedir uma informação para
achar o caminho de volta em meio à estradinha de terra mal sinalizada
pode render uma aula de história da Gramado que existe por trás dos
cenários criados para turista ver.
Foi esta verdadeira Gramado que levou o Brasil ao Oscar
com o filme O Quatrilho, de Fábio Barreto. Apesar de o filme ter sido
rodado em Caxias do Sul e Bento Gonçalves, a história se passou de fato
em Gramado, mais precisamente na Linha Tapera, distante 6 quilômetros do
centro da cidade. No antigo cemitério, ainda hoje, podem-se visitar os
túmulos de membros da família Trentin, retratada no filme. Curioso é
que justo a cidade brasileira que foi para o Oscar seja o ponto
convergente de toda a tribo do cinema no maior festival do gênero do
Brasil, o Festival de Cinema de Gramado, que tem sua 24ª edição em
agosto próximo e foi a peça fundamental para impulsionar o turismo da
cidade. De uma pequena mostra de cinema no Cine Embaixador, até hoje o
único da cidade, virou uma reedição brasileira do Oscar, com direito a
tapete vermelho na porta do cinema e muita badalação.
Se Gramado é receptiva a intelectuais, ótima para
casais e perfeita para crianças, o lugar ideal para a juventude pode
estar a 7 quilômetros, mais precisamente na vizinha Canela. É lá que
está o clima de aventura da região, como, por exemplo, no Parque das
Corredeiras, com local próprio para a prática de esportes como o rafting
e rapel. Há ainda o Parque do Caracol, com sua impressionante cascata de
131 metros, contra os parcos 21 metros da Cascata Véu da Noiva, de
Gramado. As duas cidades, separadas pelo inebriante Vale do Quilombo,
sempre viveram numa indisfarçável disputa pela turistada. Gramado, para
comemorar o dia 25 de Dezembro, criou o Natal Luz, que acontece no Lago
Joaquina Bier. Se Gramado tem o Mini Mundo, Canela tem o Mundo a Vapor --
o primeiro recria uma cidade bávara em miniatura, enquanto o tema do
segundo é a máquina a vapor. No lugar do Festival de Cinema, Canela
abriga um Festival de Teatro. Mas nada disso adiantou para Canela pegar
carona no sucesso de Gramado. Em Gramado, o que se pode esperar mesmo é
paz. É nesse momento que o gramadense pode voltar a andar sossegado pelas
ruas e assistir ao abre e fecha dos três semáforos que dão conta do
tráfego da cidade inteira. Depois das 8 horas, a cidade se aquieta e
chega a hora de jantar em restaurantes aconchegantes ou apenas o deixar-se
estar na frente da lareira. Para conhecer o centro de Gramado, a melhor
coisa é a sola do sapato, mesmo porque a cidade é pequena. O inverno
pega pesado no alto da Serra Gaúcha.
PASSEIOS
Lago Negro - Reflorestado com sementes trazidas da
Floresta Negra, na Alemanha, o lago oferece uma linda paisagem e passeios
de pedalinhos.
Lago Joaquina Bier - Este lago artificial é um dos
locais mais bonitos da cidade.
Mini Mundo - Uma cidade bávara em miniatura que reúne
vários pontos turísticos da Alemanha e Suíça em pequena escala e
trenzinhos que movimentam-se pelo cenário. O ingresso custa 3 reais.
Parque Knorr - A propriedade que pertenceu a Oscar
Knorr tem uma bela mata nativa e jardins floridos, além da vista para o
Vale do Quilombo. O ingresso para o parque custa 2,50 reais.
Parque do Caracol - Localizado em Canela, tem como
grande atrativo a Cascata do Caracol, com 131 metros de queda. Casa do
Papai Noel - Também em Canela, é uma casinha toda decorada com motivos
natalinos.
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