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FOZ DO IGUAÇU
Com vocação para a grandeza, Foz do Iguaçu já é a
terceira cidade que mais recebe turistas no país, atraídos pelas
Cataratas do Iguaçu, pela Usina de Itaipu e pelos preços baixos dos
importados na vizinha Ciudad del Este, no Paraguai
A primeira coisa a fazer é pagar 2 reais na entrada.
Depois, basta caminhar exatos 136 passos em uma passarela de cimento em
forma de ziguezague, desviando dos japoneses que invariavelmente empacam
no caminho. Armados de equipamentos de última geração e cada vez
menores, eles tiram fotografias e filmam, como fazem em qualquer outro
ponto turístico do mundo, da Torre Eiffel às pirâmides do Egito.
Estranho, pois os turistas japoneses têm apenas catorze minutos cravados
para rabiscar os contornos do que vêem, tempo que o ônibus da excursão
fica parado à espera deles, enquanto a tal da natureza levou algo em
torno de 150 milhões de anos para criá-la.
O resultado dessa criação chama-se Cataratas do
Iguaçu, um conjunto de 275 saltos d´água que tem no maior deles,
batizado sabiamente de "Garganta do Diabo", a altura de um
prédio de trinta andares. Tem também o Parque Nacional do Iguaçu, a
maior reserva de floresta pluvial subtropical do mundo (ou protropical,
por estar assentada em terra roxa e em região de muita umidade e calor),
cuja área é a mesma do Estado do Sergipe. E que, por sua vez, está
próxima à maior usina de geração de energia do mundo, a Hidrelétrica
de Itaipu. Esta, uma maravilha da tecnologia humana.
Reunindo os três fenômenos nos 428 quilômetros
quadrados de sua área, tem-se o nome da cidade que é uma das detentoras
de maior quantidade de títulos mundiais de grandeza: Foz do Iguaçu. Em
relação às cataratas, por exemplo. Estonteante, a imagem das cataratas
provocou, por parte da ex-primeira-dama americana Eleonor Roosevelt,
durante sua visita a Foz do Iguaçu, a seguinte frase: "Pobre Niagara".
As pessoas se encontram principalmente nas grandes
avenidas que cruzam Foz do Iguaçu, como a que leva o nome, quase
impronunciável, do ex-prefeito Jorge Schimmelpfeng e o do ex-presidente
Juscelino Kubitschek, no Centro. A cidade vive do turismo, basicamente, e
as pessoas têm de acordar cedo. Parte dos turistas, os estrangeiros,
está interessada em conhecer as cataratas. A outra parte, a dos
brasileiros, formada por um público bem mais objetivo, está na cidade
para aproveitar os preços convidativos da vizinha Ciudad del Este, no
Paraguai - o terceiro pólo de comércio do mundo, depois de Miami e Hong
Kong, segundo o presidente da associação dos lojistas da cidade
paraguaia, Luis Rene Ramires. Até porque os turistas estrangeiros estão
aí para provar o contrário: respondem por 40% do fluxo turístico na
cidade, procedentes da França, Itália, Japão, e dos países vizinhos.
Tome-se como exemplo o primeiro homem branco a ver as Cataratas do
Iguaçu, em 1542, antes um privilégio só dos índios: o navegador
Álvaro Núñez Cabeza de Vaca. Depois foi a vez do aviador Alberto Santos
Dumont, em 1916, quase quatro centenas de anos depois, interferir nos
destinos da cidade. Referia-se à área que hoje pertence ao parque e às
cataratas. A gleba, que fora uma vila militar, saiu das mãos do então
proprietário. O aviador é adorado na região. Prova disso são as mãos
da estátua, desbotadas de tanto serem tocadas pelos visitantes.
Anos depois, foi a vez de outros estrangeiros
interferirem no curso da História: os paraguaios. O país tornou-se
reduto dos produtos sem impostos e, com isso, a sorte de Foz do Iguaçu
mudou completamente - e também a do Paraguai. A gigantesca cobertura
metálica, que mede cerca de 50 metros, tem, no lugar do brasão da
República do Paraguai, o nome e o logotipo de um dos maiores fabricantes
do mundo de produtos eletrônicos: Samsung.
É para esse lugar que todas as semanas vão cerca de
150 mil sacoleiros brasileiros, deixando, em média, cada um, a cada
viagem, 1 500 dólares nas mãos dos comerciantes paraguaios -dez vezes
mais do valor permitido pela lei. Em um dos sábados de junho, por
exemplo, somente para andar um trecho de 1,5 quilômetro com o carro -
justamente o trecho da Ponte da Amizade, que liga o Paraguai ao Brasil -
era necessário reservar duas horas e meia para o trajeto. Este fato é o
melhor argumento para convencer o turista que só quer passear a ficar
mesmo em Foz do Iguaçu.
Prova de que a afirmação tem adeptos - e muitos - é
o Parque Nacional do Iguaçu. Ali, com quatis passeando entre as pernas
dos turistas, tem-se uma primeira noção da riqueza da fauna e da flora.
O contraste é o lado argentino do parque, separado do brasileiro pelo Rio
Iguaçu. É, na opinião da maioria dos turistas, a melhor vista das
cataratas "brasileiras".
De todas as megaatrações de Foz do Iguaçu apenas
uma, a Usina Hidrelétrica de Itaipu, passou pelas mãos do homem. Para
ter uma noção do gigantismo da obra, a quantidade de concreto armado e
rochas basálticas utilizadas na construção da usina serviria para
erguer uma cidade para 4 milhões de pessoas. Falando em eletricidade, a
região de Foz do Iguaçu também tem bons programas noturnos para quem
passou dos 40 anos. Não exatamente na cidade. No Paraguai também há um
cassino, o Acaray. O primeiro programa deve ser no Parque Nacional do
Iguaçu, onde há três grandes atrações. Pagando-se 2 reais de entrada
você conhece o próprio parque, com suas belíssimas trilhas, e as
Cataratas do Iguaçu. É também pela entrada do parque que se tem acesso
ao local de partida da excursão do Macuco Safári (30 reais por pessoa).
Depois de andar 3 quilômetros de jipe, caminhar 600 metros na mata,
chega-se a um barco inflável que leva os turistas em um passeio pelo rio
até a Garganta do Diabo - nome da principal fenda das cataratas. Para
conhecer as aves da região, vá ao Parque das Aves, onde ficam expostas
em viveiros cerca de 500 aves de 200 espécies diferentes. Há lojas das
principais locadoras em Foz, com diária em torno dos 60 reais. Se
preferir táxi, não caia na conversa dos motoristas, que sempre querem
combinar preços fechados para os destinos. Se preferir visitar a cidade
no verão, prepare-se para enfrentar temperaturas que costumam bater na
marca dos 40 graus.
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