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ANGRA DOS REIS
Com 365 ilhas, a cidade da Costa Verde fluminense é um
dos roteiros mais sofisticados e belos do litoral brasileiro
Os guias rodoviários registram, com muita precisão, o
quilômetro 381 da rodovia Rio-Santos como o ponto em que está localizada
a cidade de Angra dos Reis. Quem segue estas indicações, porém, não
encontra o lugar que ficou conhecido como um dos mais belos do litoral
brasileiro, mas sim uma cidade comum. O que os guias não mostram é que a
verdadeira Angra dos Reis está próxima dali, mais exatamente no mar: em
vez de bairros, carros e asfalto, como as cidades tradicionais, esta tem
ilhas, barcos de todos os tipos e, no lugar de ruas, caminhos abertos no
mar.
Angra do Mar. Este sim poderia ser o nome de batismo de
Angra dos Reis. O mar é o caminho mais agradável para levar aos hotéis,
às pousadas, aos bares, restaurantes, igrejas, postos de gasolina e até
a um caixa eletrônico localizado no cais do centro da cidade.
Foi a beleza de Angra dos Reis - capaz de fazer inveja
às paradisíacas ilhas caribenhas pré-furacão Luís - que levou um
grupo de endinheirados cariocas a aportar na cidade, há pouco menos de
vinte anos, comprando ilhas e construindo casas à moda dos nababos. É o
caso do veranista mais famoso de Angra, o cirurgião plástico Ivo
Pitanguy, dono da Ilha dos Porcos, onde há, entre outras facilidades que
só o dinheiro pode proporcionar, um aeroporto particular e um viveiro com
mais de 600 espécies diferentes de animais.
Embora seja um paraíso de ricos, Angra do Mar, a
cidade flutuante, é muito democrática. É comum ver as mais diferentes
embarcações singrando o mar daquela parte do Atlântico, dos mais
pobres, que usam os seus barquinhos de madeira para a lida, aos
milionários, a bordo de iates de 54 pés. Nos fins de semana, a cena
habitual nas praias das ilhas, como na do Sandri, é um amontoado de
iates, barcos de pesca, barquinhos, barcões, botes, saveiros, hobbie cats,
pranchas de windsurf boiando à frente dos bares flutuantes.
É nessa hora que a chamada "democracia
marítima" de Angra dos Reis fica comprovada. Cada uma das
embarcações, independentemente do porte, tem um aparelho que toca
música. É provável que eles gritem para poder ouvir a própria voz,
pois, segundo a lenda, os programas são transmitidos do interior de uma
das turbinas da usina atômica de Angra.
Quando se fala nesse charme arrebatador, é possível
que, para quem não conhece a Angra do Mar, pareça um certo exagero. A
Ilha do Maia revela uma das principais marcas de nossa civilização: o
teleférico. Em frente à ilha, vê-se a casa do presidente da Fifa, João
Havelange, que, nos fins de semana de temporada, faz ponto no bar do Luis
Rosas, na Praia das Flechas, outro point concorrido da Ilha da Gipóia.
A poucos metros dali, na Ilha da Piedade, Angra dos
Reis mostra por que tudo de importante para se ver está no mar. Até as
igrejas estão boiando, como a Nossa Senhora da Piedade. E se há o templo
da meditação, também há o do prazer. Fora do mar, Angra tem algumas
poucas boas opções de programa, como passear de trem pela Serra do Mar e
visitar a única tribo guarani do Rio de Janeiro. A Aldeia Indígena de
Sapukai do Bracuhy, no bairro de Bracuí, revela um povo doce, embora
muitas vezes desconfiado. Os 200 integrantes da tribo vivem dos trabalhos
artesanais que vendem à beira da estrada e no mercado central. A vantagem
de retornar a Angra do Mar é que você não precisará de autorização
para nada. Acorde às 6h00, alugue uma lancha (cerca de R$ 250 a diária)
e passeie pelas ilhas da Gipóia, da Francisca e acompanhe o contorno
oceânico da Ilha Grande. A viagem, que dura cerca de seis horas, parte
às 10h30 da Praia do Anil, no centro da cidade, e passa por belíssimas
cachoeiras e a característica mata fechada, que se forma na orla
brasileira. À noite, jante no restaurante Chez Dominique, na Praia do
Frade.
Uma semana é o período ideal para descobrir os
encantos de Angra dos Reis, principalmente os do mar. Além dos três dias
anteriores já programados, divida os quatro restantes da seguinte forma.
Reserve três dias para fazer passeios diários de barcos por várias
ilhas, como as do Sandri, do Maia (não perca o teleférico particular da
ilha) e dos Porcos, conhecida também pelo nome de seu dono, a Ilha do
Pitanguy. Chegando lá, munido de repelente para insetos, é claro, não
deixe de visitar as praias do Abraão, Abraãozinho, Enseada das Palmas,
praias do Lopes Mendes e do Morcego, onde, dizem, há uma réplica do
bicho em ouro enterrada na praia.
Angra dos Reis tem ótimos hotéis e pousadas para
todos os bolsos. À beira-mar, a melhor pedida é sempre comida mais leve,
como frutos do mar e peixes. Uma vantagem é a localização do
restaurante, à beira de um canal na Praia do Frade. No Portogalo e no
Hotel do Bosque, o acesso é bem mais rápido e o preço, o mesmo.
Angra dos Reis está a 150 km do Rio, de onde há
ônibus com saídas diárias. Nas praias da Ilha Grande e em algumas
praias de Angra, como Mambucaba, é fundamental o uso de repelentes para
insetos. A tendência no verão é de sol, mas o tempo é sempre
instável, graças à proximidade da Mata Atlântica. Não há outra
opção viável de locomoção em Angra. Na recepção de hotéis e
pousadas há informações sobre locação. Algumas diárias: escuna, R$
15; e lancha, R$ 250.
A Procissão Marítima, realizada no primeiro dia do
ano, é o principal evento da cidade, quando são reunidos no mar cerca de
2 mil barcos alegóricos de vários tamanhos.
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